A União Europeia indicou que as exportações brasileiras de mel e carne de frango podem ser retomadas nas próximas semanas. A declaração foi feita nesta quinta-feira (1º) por Jean-Pierre Bou, chefe adjunto da missão da União Europeia no Brasil, durante o evento GAFFFF, realizado em São Paulo. A perspectiva favorável ocorre após uma auditoria da Comissão Europeia avaliar positivamente os controles oficiais, procedimentos e marcos legais do Brasil para essas cadeias produtivas.
Em contraste, a liberação da carne bovina exigirá um prazo mais longo, estimado em cerca de dois anos. Segundo Bou, o processo para o setor bovino é mais complexo devido às exigências europeias de rastreabilidade e controle de antimicrobianos, que envolvem o acompanhamento dos animais ao longo de praticamente todo o ciclo de vida.
As restrições de produtos de origem animal brasileiros pela União Europeia vigoravam desde setembro, no âmbito de discussões sobre o cumprimento de normas de antimicrobianos. O bloqueio afetou itens como carnes bovina, de frango, suína e mel. O cenário de negociações ocorre no contexto do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em janeiro de 2026 e aplicado provisoriamente a partir de maio. De acordo com o Ministério da Agricultura, as exportações agrícolas do Brasil para o bloco alcançaram US$ 21,8 bilhões em 2025.
Apesar dos desafios sanitários em discussão, Bou destacou que alguns setores já registram expansão comercial, citando o café e as uvas. O representante europeu também ressaltou que o tratado prevê a proteção de 37 Indicações Geográficas (IGs) brasileiras, a exemplo da cachaça, do queijo Canastra e dos vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos, abrindo espaço para ampliar o valor agregado e divulgar produtos regionais.
Outros pontos abordados no acordo incluem o fortalecimento da bioeconomia, com foco em culturas alternativas e programas de cooperação tecnológica, além de compromissos voltados ao desenvolvimento sustentável e à descarbonização. Para Bou, o comércio internacional atua como um fator de segurança alimentar para a Europa diante de cenários de mudanças climáticas e instabilidade global.
