Uma pesquisa realizada em julho pelo Instituto Locomotiva revela que 87% dos motoristas brasileiros considerariam adquirir um veículo elétrico. Desse total, 50% afirmam que certamente comprariam o modelo, enquanto 37% dizem que provavelmente fariam a aquisição.
O alto preço dos combustíveis figura entre os principais impulsionadores dessa mudança. De acordo com o levantamento, 78% dos entrevistados que cogitam a compra apontam a possibilidade de economizar com combustível por quilômetro rodado ou no longo prazo como um dos principais atrativos. Além disso, 84% dos motoristas já indicavam em julho que o encarecimento da matéria-prima torna os veículos eletrificados mais atraentes, impulsionados pela alta do petróleo devido a conflitos no Oriente Médio, que fazem os barris Brent e WTI oscilarem entre US$ 90 e US$ 110 (no fechamento de quinta-feira, 8, cotados a US$ 104,13 e US$ 91,35, respectivamente).
O tema ganhou relevância na sexta-feira (9), quando o governo Lula anunciou medidas de R$ 5,2 bilhões mensais para conter a alta dos combustíveis, incluindo a zeragem de tributos federais sobre a gasolina por 30 dias (com chance de prorrogação), além da publicação de uma medida provisória liberando R$ 7,5 bilhões para segurar o preço do diesel.
Outros fatores também entram na conta dos consumidores que consideram a compra:
- Sustentabilidade: citada por 61% dos entrevistados;
- Tecnologia mais avançada: mencionada por 56%;
- Maior conforto: apontado por 51%.
Sobre a relação entre custo e benefício, 76% dos entrevistados acreditam que a economia posterior compensa o investimento inicial, mesmo que o automóvel elétrico custe mais caro na compra. Em contrapartida, 24% avaliam que gastar menos com combustível não justifica o valor desembolsado para adquirir o bem.
A influência social também marca presença: 69% dos motoristas conhecem alguém que possui um carro elétrico, e 92% destes afirmam que os conhecidos falam bem dos veículos. Entre quem já possui modelos elétricos ou híbridos, a intenção de recompra atinge 98% (85% certamente comprariam de novo e 13% provavelmente).
Apesar do forte interesse, o preço de aquisição continua sendo um obstáculo, conforme apontado por 84% dos entrevistados, que afirmam que a chance de compra aumentaria se os veículos fossem mais baratos.
"O ponto de tensão está em transformar essa disposição em compra: enquanto o preço de entrada continuar alto, parte desse interesse não vira acesso. O próximo passo da eletrificação é aproximar o custo de compra da economia que o consumidor já percebe no uso, além de facilitar as opções de recarga", analisa Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
