NewsHub
Brasil

A evolução da formação médica diante da inteligência artificial e novas tecnologias

Novas diretrizes curriculares e universidades brasileiras adaptam cursos de medicina para o uso de inteligência artificial e tecnologias.

Redação•16 de out. de 2026, 11:30
A evolução da formação médica diante da inteligência artificial e novas tecnologias
Imagem: site

A evolução da formação médica diante da inteligência artificial e novas tecnologias

Ouça esta matéria em voz alta

A transformação provocada por inovações como inteligência artificial, genética, análise de grandes volumes de dados e novas tecnologias diagnósticas altera a maneira como doenças são identificadas, riscos são avaliados e tratamentos são definidos. Esse cenário impõe o desafio de preparar os novos profissionais para uma medicina que ainda está sendo construída.

No Brasil, o debate ganhou espaço na graduação com as novas Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Medicina, instituídas em 2025 pelo Conselho Nacional de Educação. Pela primeira vez, ferramentas como inteligência artificial, telemedicina, algoritmos de aprendizado de máquina, análise de dados em larga escala e redes neurais artificiais foram incorporadas de forma explícita entre os conhecimentos obrigatórios.

Algumas instituições de ensino superior no país já adotam a temática em suas grades. A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) disponibiliza a disciplina Inteligência Artificial na Prática Clínica, enquanto a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) conta com a matéria Inteligência Artificial Aplicada à Saúde, focada em diagnóstico, prognóstico e análise de dados.

O avanço é ainda mais expressivo em outros países. Dados da Association of American Medical Colleges (AAMC) revelam que, nos Estados Unidos e no Canadá, 77% das escolas médicas avaliadas incluíram conteúdos de inteligência artificial em seus currículos em 2024, em comparação com 53% no período anterior.

O papel do pensamento crítico e da formação humana

Especialistas apontam que o desafio vai além de acompanhar inovações anuais, exigindo que os estudantes aprendam a compreender as ferramentas, avaliar resultados e integrá-las à prática sem delegar a elas decisões que dependem de julgamento clínico.

  • O pensamento crítico é considerado fundamental na era da inteligência artificial para questionar respostas e confrontá-las com evidências.
  • O avanço tecnológico exige maior aprofundamento do conhecimento científico e fortalecimento do raciocínio clínico.
  • A tecnologia deve apoiar o processo, mas a responsabilidade pelo cuidado permanece sob a tutela do médico.

Além disso, o relacionamento com o paciente e a sensibilidade humana continuam insubstituíveis. Recursos tecnológicos podem organizar dados e sugerir hipóteses diagnósticas, mas a escuta de pacientes com medo e a comunicação em diagnósticos difíceis exigem presença e vínculo humano. A meta para as próximas décadas é unir o domínio tecnológico a uma sólida base científica e humanística.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/coluna-claudio-lottenberg/precisamos-formar-medicos-para-uma-medicina-que-esta-sendo-construida/

Compartilhar