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Economia

A fome ainda é um grande desafio, assim como o crescimento da obesidade

José Graziano da Silva alerta que, apesar de o Brasil ter saído do Mapa da Fome, o país ainda enfrenta insegurança alimentar grave e o crescimento preocupante da obesidade.

Redação•08 de set. de 2026, 11:30
A fome ainda é um grande desafio, assim como o crescimento da obesidade
Imagem: site

A fome ainda é um grande desafio, assim como o crescimento da obesidade

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O desafio da insegurança alimentar e obesidade no Brasil

Embora o Brasil tenha saído oficialmente do Mapa da Fome da ONU em julho de 2025, o país ainda enfrenta um cenário complexo. José Graziano da Silva, idealizador do programa Fome Zero e ex-diretor-geral da FAO, alerta que a métrica utilizada pela ONU — que considera o país como um todo — mascara desigualdades profundas. Se regiões como a Amazônia e o Nordeste fossem países independentes, ainda estariam incluídas no Mapa da Fome, com taxas de insegurança alimentar que superam 20% em diversas áreas.

A invisibilidade da fome e a necessidade de políticas de Estado

Graziano destaca que a fome atual é silenciosa e difícil de mapear, exigindo estratégias de busca ativa. O especialista enfatiza que o Brasil deve garantir que programas de combate à fome, como os de agricultura familiar e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), tenham dotações orçamentárias obrigatórias, transformando-os em políticas de Estado permanentes, e não apenas ações de governos de turno.

O desafio da obesidade e o custo da alimentação saudável

A obesidade caminha lado a lado com a insegurança alimentar, impulsionada pelo baixo custo de produtos ultraprocessados em comparação aos alimentos frescos. Graziano defende medidas restritivas similares às aplicadas ao tabaco, citando o modelo chileno de rotulagem e restrição de publicidade. Além disso, propõe a implementação efetiva do "imposto do pecado" sobre bebidas açucaradas e maior incentivo à produção de frutas e hortaliças.

Políticas antecipatórias contra as mudanças climáticas

Por fim, o especialista reforça a urgência de políticas de proteção social antecipatórias. Diante de fenômenos como o El Niño, que ameaçam elevar o preço dos alimentos em até 20%, o Brasil precisa agir preventivamente em vez de reagir apenas após as tragédias. O uso de dados como os do Cadastro Único e o investimento em estoques de segurança alimentar são caminhos fundamentais para garantir que o direito à alimentação seja, de fato, assegurado a toda a população.

Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/balanco-social/a-fome-ainda-e-um-grande-desafio-assim-como-o-crescimento-da-obesidade/

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