As discussões sobre os riscos da inteligência artificial dominaram o noticiário após posicionamentos de líderes de grandes empresas de tecnologia sobre a velocidade do desenvolvimento da tecnologia. O debate foi iniciado por Dario Amodei, CEO da Anthropic (empresa dona do Claude). A posição também ganhou o apoio de Sam Altman (CEO da OpenAI, do ChatGPT), Elon Musk (dono do X e da xAI) e Demis Hassabis (presidente do Google DeepMind).
Em contrapartida, Mark Zuckerberg (CEO da Meta) e Jensen Huang (CEO da Nvidia) são contrários à ideia de pausa. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se opõe à proposta e critica quem defende uma paralisação no avanço tecnológico.
A IA tem vontade própria?
Especialistas explicam que a inteligência artificial não possui vontade própria. Segundo Edney Souza, professor da educação continuada da ESPM e especialista em tecnologia e inovação, a tecnologia apenas completa padrões estatísticos com base nos dados utilizados em seu treinamento. Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP, reforça que os sistemas não têm nenhum tipo de consciência e, portanto, não podem se revoltar contra a humanidade.
Cortiz pontua que os modelos estão cada vez maiores e capazes de resolver tarefas mais longas e complexas. Dessa forma, a tecnologia pode tomar decisões contrárias a valores humanos e causar prejuízos em determinados níveis de controle, mas isso decorre do processamento sistêmico, e não de uma decisão consciente de rebeldia.
Izabela Anholett, especialista em IA e fundadora da Nura AI, ressalta que a tecnologia pode causar danos em larga escala por meio de ações humanas, como a criação de novos vírus em 2026, mas reitera que o risco provém do ser humano por trás da criação.
Motivos por trás do discurso de pausa
Para Diogo Cortiz, a preocupação com o avanço tecnológico é legítima, mas o discurso de pausa pode combinar questões de segurança com estratégias de proteção de mercado. Entre os fatores que explicam o debate sobre o ritmo do setor estão:
- Energia: os Estados Unidos enfrentam desafios energéticos para sustentar a IA, com a construção de data centers em ritmo mais lento.
- Retorno dos investimentos: o retorno financeiro está demorando mais do que o esperado para justificar novos aportes.
- Concorrência chinesa: modelos da China ganham espaço globalmente com custos menores e capacidades semelhantes.
- Regulação: regras rígidas podem dificultar a entrada de novos concorrentes e favorecer as empresas líderes.
