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A lição do Canadá para o Brasil e outras potências médias diante de Trump

Reportagem da revista The Economist aponta que a postura do Canadá frente ao protecionismo de Trump serve de roteiro para potências médias, incluindo o Brasil.

Redação•16 de out. de 2026, 13:30
A lição do Canadá para o Brasil e outras potências médias diante de Trump
Imagem: site

A lição do Canadá para o Brasil e outras potências médias diante de Trump

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A rápida desmontagem da ordem internacional baseada em regras, impulsionada pela diplomacia hiper-transacional e agressiva de Donald Trump na Casa Branca, exige novas estratégias de navegação geopolítica para países que não figuram como superpotências. Segundo reportagem da revista britânica The Economist publicada na quinta-feira 15, a postura do Canadá diante do protecionismo americano oferece um roteiro valioso de sobrevivência para as chamadas potências médias, grupo no qual o Brasil está inserido.

Em discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defendeu que as nações intermediárias precisam encontrar formas próprias de responder às pressões dos gigantes globais e à erosão de órgãos como as Nações Unidas. A análise da publicação parte da premissa de que essas potências jamais conseguirão substituir os Estados Unidos ou a China no papel de sustentáculos de instituições internacionais permanentes, mas têm espaço para mitigar estragos por meio de pragmatismo, coalizões pontuais e acordos flexíveis.

Estratégia externa e diversificação

No plano externo, a conduta de Carney priorizou a diversificação diplomática e comercial para reduzir a dependência histórica de Washington. Em 18 meses no poder, o Canadá firmou mais de 20 acordos de comércio e segurança em cinco continentes, incluindo negociações com a União Europeia, aproximação com a Índia e acenos à China para a redução de barreiras tarifárias. Além disso, o país elevou seus gastos militares de 1,3% para 2% do PIB, com a meta de alcançar 4% até 2030, buscando fornecedores alternativos aos Estados Unidos.

Reformas internas e pragmatismo econômico

A principal lição destacada pela revista, contudo, concentra-se na política doméstica. Diante do choque das tarifas americanas, o governo canadense utilizou a indignação nacional para aprovar reformas históricas voltadas a acelerar o crescimento e destravar investimentos. O plano econômico lançado combina estímulos fiscais, desregulamentação, corte de gastos e foco em produtividade, destacando:

  • Choque de competitividade: fim do imposto de carbono sobre o consumidor, cancelamento do aumento na taxa sobre ganhos de capital, redução da alíquota do imposto de renda e criação da mega-dedução de produtividade para abatimento fiscal imediato de 100% na compra de novos equipamentos.
  • Desregulamentação de grandes obras (Building Canada Act): aprovação acelerada para infraestruturas estratégicas de interesse nacional, como um novo oleoduto em Alberta para exportar à Ásia, e eliminação de barreiras comerciais entre províncias.
  • Enxugamento da máquina pública: corte de gastos correntes e meta de reduzir em 10% o quadro do funcionalismo público federal até 2029 para financiar investimentos sem elevar o déficit.
  • Controle imigratório e habitação: reversão do fluxo de mão de obra não qualificada para forçar investimentos em automação, aliada à meta de dobrar a construção de moradias para 500 mil unidades por ano.

Ao transformar a turbulência de Washington em catalisador de unidade nacional, Carney alcançou cerca de 70% de aprovação e contornou a chamada maldição de Juncker. Para o Brasil, o diagnóstico funciona como um espelho e um alerta para destravar produtividade, atrair investimentos com autonomia e reforçar a eficiência doméstica como escudo contra a arbitrariedade global. “De certa forma, Trump fez um favor a todas as democracias, ao dar a elas um motivo para enfrentar problemas antigos que pareciam difíceis demais”, resume a publicação.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/a-licao-canadense-para-o-brasil-de-como-sobreviver-a-trump/

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