O MDB atua para assegurar a maioria dos diretórios estaduais em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. A movimentação é comandada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, conforme apontado por fontes ligadas a ele e ao presidente nacional da legenda, Baleia Rossi.
Baleia Rossi busca ampliar o número de diretórios favoráveis a Flávio Bolsonaro para alcançar pelo menos 17 estados. Em declaração à CNN, o dirigente afirmou que a legenda deve formar maioria estadual para respaldar o candidato. A articulação ocorre a pedido de Tarcísio, que atua na linha de frente para aproximar o partido da campanha.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também integra as negociações e trabalha para mobilizar presidentes estaduais da sigla. De acordo com aliados do prefeito e membros da legenda, 15 diretórios já manifestaram apoio à iniciativa. Nunes informou à CNN que organiza um evento com esses presidentes estaduais para a próxima semana, em São Paulo.
Negociação política e divisão de espaços
A construção de uma maioria nos estados é considerada relevante para as tratativas de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Internamente, emedebistas avaliam que a sigla chega enfraquecida às negociações e que a demora em se posicionar pode resultar em desvantagem frente a outras legendas na disputa por cargos na futura administração. A manifestação pública de apoio é tratada como forma de inserir o partido na divisão de espaços, embora membros da própria legenda reconheçam, de forma reservada, que o MDB chega por último após outras siglas do centro e da direita já terem declarado suporte.
O endosso partidário não será unânime, uma vez que correntes internas mantêm proximidade com o campo lulista. A estratégia visa preservar a unidade possível, permitindo que alas contrárias ao movimento mantenham suas posições durante o segundo turno.
Impacto eleitoral e correlação de forças
A alteração de postura do MDB sucede um desempenho eleitoral inferior às projeções iniciais. A expectativa da cúpula era eleger entre 30 e 40 deputados, marca não alcançada. A avaliação interna aponta que a direita bolsonarista avançou sobre espaços tradicionalmente ocupados pelo centro e pelo centrão, exigindo adaptação do partido à nova correlação de forças.
A resistência interna à aproximação com Flávio Bolsonaro recuou com o enfraquecimento de alas contrárias ao bolsonarismo nas urnas. No Pará, a derrota da emedebista Hana Ghassan na disputa pelo governo estadual representou um revés para o grupo político dos Barbalho — embora Helder Barbalho tenha sido eleito senador —, pesando na correlação interna e fragilizando a ala mais alinhada ao governo Lula.
Nesse contexto, Ricardo Nunes tende a ganhar relevância na legenda, recebendo avaliações positivas do entorno de Flávio Bolsonaro pela mobilização dos diretórios. Por fim, Baleia Rossi deve oficializar o apoio após a consolidação da maioria entre os diretórios estaduais.
