O legado e o futuro da saúde pública
Nísia Trindade, socióloga de 68 anos, consolidou uma trajetória marcada pela gestão da Fiocruz durante a pandemia de covid-19 e pelo comando do Ministério da Saúde no governo Lula. Sua experiência foi reunida no livro Ainda Há Tempo, obra que detalha as lições aprendidas em um período de crise e propõe reflexões sobre a resiliência do sistema de saúde brasileiro.
Balanço da gestão no Ministério da Saúde
Ao avaliar seu período como ministra (2023-2025), Nísia destaca o sucesso do Movimento Nacional pela Vacinação, que elevou a cobertura de 15 das 16 vacinas infantis e recuperou o certificado de país livre do sarampo. Além disso, celebrou o recorde histórico de 14 milhões de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS em 2024.
A ex-ministra enfatizou a retomada do complexo econômico industrial da saúde como política de Estado, viabilizando parcerias para a produção local de vacinas, como a da dengue (Instituto Butantan) e a contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Segundo ela, a maior herança deixada pela gestão anterior foi a desestruturação do SUS e a crise humanitária na saúde indígena yanomami, desafios enfrentados com o apoio do presidente Lula.
Combate ao machismo e lições para o futuro
Como a primeira mulher a liderar o Ministério da Saúde e a Fiocruz, Nísia admite ter enfrentado machismo e misoginia. Ela defende políticas públicas que garantam a equidade, ressaltando que a superação dessas barreiras é parte essencial da agenda democrática.
Sobre a preparação para novas pandemias, a pesquisadora é enfática: o Brasil avançou ao fortalecer a atenção primária e a capacidade produtiva, mas a preparação exige uma combinação de ciência, vontade política e proteção social. Nísia reforça que, em um mundo globalizado, a cooperação internacional é indispensável para evitar que crises sanitárias se repitam. "Lidar com grandes desafios requer vontade política, conhecimento científico e participação social", conclui.
Fonte: https://veja.abril.com.br/saude/a-receita-de-nisia-trindade-para-enfrentar-uma-nova-pandemia/
