O médico e gestor de saúde pública Abdul El-Sayed fez história nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos ao garantir uma vaga no Senado pelo estado de Michigan. Aos 42 anos e representante da ala progressista do Partido Democrata, ele superou o republicano Mike Rogers — escolhido pelo presidente Donald Trump — com 51,8% dos votos válidos contra 46,2%, assegurando uma cadeira decisiva para a mudança de comando no Congresso americano.
Com o resultado, El-Sayed rompeu uma barreira histórica ao se tornar o primeiro muçulmano eleito para a câmara alta do país. A vitória integrou uma reviravolta nacional da oposição, que desmontou a maioria republicana no Congresso com triunfos também em estados como Texas, Kansas e Carolina do Sul.
Trajetória e carreira na saúde pública
Filho de imigrantes egípcios nascido em Rochester Hills, Michigan, Abdul El-Sayed possui sólida formação acadêmica. Graduou-se em biologia e ciência política pela Universidade de Michigan em 2007, obteve doutorado em saúde pública pela Universidade de Oxford em 2011 como bolsista Rhodes e concluiu o doutorado em medicina na Universidade Columbia em 2014, onde atuou como professor de epidemiologia.
Em 2015, assumiu a direção do Departamento de Saúde de Detroit, liderando a reconstrução dos serviços públicos municipais durante a crise financeira da cidade até 2017. Posteriormente, entre 2023 e 2025, atuou como diretor do Departamento de Saúde, Serviços Humanos e de Veteranos do Condado de Wayne. Na vida pessoal, é casado com a psiquiatra Sarah Jukaku, com quem tem duas filhas.
Campanha progressista e embates políticos
Após disputar a primária para o governo de Michigan em 2018, El-Sayed retornou em 2026 para buscar a indicação ao Senado, derrotando nas primárias de agosto a deputada federal Haley Stevens. O pleito interno registrou gastos recordes de cerca de US$ 30 milhões por parte do Super PAC United Democracy Project. A campanha do democrata focou em:
A plataforma atraiu apoio de nomes como Bernie Sanders, Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e do ex-presidente Barack Obama.
Islamofobia e política externa
A disputa em Michigan foi marcada por intensa polarização e mais de US$ 220 milhões em investimentos publicitários. A fé islâmica de El-Sayed foi alvo de ataques de Mike Rogers, de Donald Trump e de conservadores, que o classificaram como "comunista" e "jihadista". El-Sayed rebateu as acusações afirmando que os adversários usaram estereótipos islamofóbicos para desviar o foco da economia.
Em relação ao Oriente Médio, o democrata criticou o envio de ajuda militar a Israel e classificou a ofensiva em Gaza como genocídio e regime de apartheid. Faltando dois dias para a eleição geral, Haley Stevens declarou apoio a Mike Rogers devido a divergências sobre o tema, embora a atitude tenha gerado rejeição na base democrata e não impedido a vitória de El-Sayed.
Prestes a tomar posse em janeiro de 2026, o novo senador combinado perfil técnico e força política para levar pautas de justiça social e saúde pública ao centro de Washington.
Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/quem-e-abdul-el-sayed-primeiro-muculmano-a-chegar-no-senado-dos-eua/
