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Abdul El-Sayed se torna o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA

O médico e gestor Abdul El-Sayed venceu a disputa em Michigan e tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos Estados Unidos.

Redação•04 de nov. de 2026, 08:30
Abdul El-Sayed se torna o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA
Imagem: site

Abdul El-Sayed se torna o primeiro muçulmano eleito para o Senado dos EUA

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O médico e gestor de saúde pública Abdul El-Sayed fez história nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos ao garantir uma vaga no Senado pelo estado de Michigan. Aos 42 anos e representante da ala progressista do Partido Democrata, ele superou o republicano Mike Rogers — escolhido pelo presidente Donald Trump — com 51,8% dos votos válidos contra 46,2%, assegurando uma cadeira decisiva para a mudança de comando no Congresso americano.

Com o resultado, El-Sayed rompeu uma barreira histórica ao se tornar o primeiro muçulmano eleito para a câmara alta do país. A vitória integrou uma reviravolta nacional da oposição, que desmontou a maioria republicana no Congresso com triunfos também em estados como Texas, Kansas e Carolina do Sul.

Trajetória e carreira na saúde pública

Filho de imigrantes egípcios nascido em Rochester Hills, Michigan, Abdul El-Sayed possui sólida formação acadêmica. Graduou-se em biologia e ciência política pela Universidade de Michigan em 2007, obteve doutorado em saúde pública pela Universidade de Oxford em 2011 como bolsista Rhodes e concluiu o doutorado em medicina na Universidade Columbia em 2014, onde atuou como professor de epidemiologia.

Em 2015, assumiu a direção do Departamento de Saúde de Detroit, liderando a reconstrução dos serviços públicos municipais durante a crise financeira da cidade até 2017. Posteriormente, entre 2023 e 2025, atuou como diretor do Departamento de Saúde, Serviços Humanos e de Veteranos do Condado de Wayne. Na vida pessoal, é casado com a psiquiatra Sarah Jukaku, com quem tem duas filhas.

Campanha progressista e embates políticos

Após disputar a primária para o governo de Michigan em 2018, El-Sayed retornou em 2026 para buscar a indicação ao Senado, derrotando nas primárias de agosto a deputada federal Haley Stevens. O pleito interno registrou gastos recordes de cerca de US$ 30 milhões por parte do Super PAC United Democracy Project. A campanha do democrata focou em:

    Saúde universal ("Medicare for All"): criação de sistema público de saúde federal para ampla cobertura e eliminação de dívidas médicas.
    Controle do custo de vida: redução de gastos com habitação, aluguel, combustíveis e alimentos.
    Combate à influência corporativa: restrições ao financiamento de campanhas por grandes doadores.
    Redirecionamento de recursos: priorização de investimentos em infraestrutura local, escolas e saúde em detrimento de conflitos externos.

A plataforma atraiu apoio de nomes como Bernie Sanders, Alexandria Ocasio-Cortez, Rashida Tlaib e do ex-presidente Barack Obama.

Islamofobia e política externa

A disputa em Michigan foi marcada por intensa polarização e mais de US$ 220 milhões em investimentos publicitários. A fé islâmica de El-Sayed foi alvo de ataques de Mike Rogers, de Donald Trump e de conservadores, que o classificaram como "comunista" e "jihadista". El-Sayed rebateu as acusações afirmando que os adversários usaram estereótipos islamofóbicos para desviar o foco da economia.

Em relação ao Oriente Médio, o democrata criticou o envio de ajuda militar a Israel e classificou a ofensiva em Gaza como genocídio e regime de apartheid. Faltando dois dias para a eleição geral, Haley Stevens declarou apoio a Mike Rogers devido a divergências sobre o tema, embora a atitude tenha gerado rejeição na base democrata e não impedido a vitória de El-Sayed.

Prestes a tomar posse em janeiro de 2026, o novo senador combinado perfil técnico e força política para levar pautas de justiça social e saúde pública ao centro de Washington.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/quem-e-abdul-el-sayed-primeiro-muculmano-a-chegar-no-senado-dos-eua/

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