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Abertura econômica de Javier Milei na Argentina impulsiona avanço do contrabando

A abertura econômica promovida pelo governo de Javier Milei na Argentina impulsiona o avanço do contrabando, gerando perdas bilionárias em arrecadação e desafiando a indústria local.

Redação•06 de out. de 2026, 15:31
Abertura econômica de Javier Milei na Argentina impulsiona avanço do contrabando
Imagem: site

Abertura econômica de Javier Milei na Argentina impulsiona avanço do contrabando

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A política de abertura econômica promovida pelo governo de Javier Milei na Argentina tem gerado um efeito colateral que preocupa autoridades, fabricantes e empresários: o crescimento do comércio ilegal de produtos importados. Entre os itens que passaram a circular com maior frequência fora dos canais formais estão celulares, cervejas, pneus, roupas, bebidas alcoólicas, cigarros, calçados e cosméticos. O tema deixou de ser visto apenas como uma questão restrita às fronteiras e passou a integrar o centro das discussões sobre a competitividade da indústria nacional.

De acordo com levantamentos citados pelos jornais La Nación e Infobae, o comércio ilegal pode representar cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, gerando uma perda anual estimada em aproximadamente 2,3 bilhões de dólares em arrecadação de tributos. Entre os segmentos mais afetados estão os setores têxtil, de cigarros, de cerveja e de celulares. No caso dos aparelhos celulares, a associação que representa os fabricantes de eletrônicos na Argentina estima que cerca de um em cada três dispositivos conectados às redes do país tenha ingressado de forma irregular. Historicamente avaliada entre 5% e 7%, a participação do mercado ilegal teria subido para cerca de 30% nos últimos dois anos.

O avanço do contrabando está associado à estabilização da moeda e à valorização do peso argentino, apontadas como conquistas da gestão de Milei. Anteriormente, a grande discrepância entre o câmbio oficial e o mercado paralelo funcionava como um entrave para importadores ilegais, uma vez que a aquisição de dólares no mercado informal encarecia a operação. Com a unificação dos mercados cambiais, um peso mais forte e maior facilidade de acesso à moeda estrangeira, tornou-se financeiramente mais vantajoso abastecer o mercado local com mercadorias que ingressam sem passar pela Aduana.

Martín Rappallini, presidente da União Industrial Argentina, avaliou que a unificação cambial foi positiva para o país, mas ressaltou a necessidade de fronteiras mais fortalecidas para coibir o contrabando.

Expansão geográfica e novas rotas do comércio ilegal

O fenômeno também se transformou em termos de escala e localização. Historicamente concentrado em áreas de fronteira com Bolívia, Paraguai e Brasil — a exemplo da província de Misiones —, o contrabando intensificou-se nas grandes cidades. Em junho, a agência de arrecadação e controle aduaneiro argentino (ARCA) realizou apreensões de dezenas de milhares de latas e garrafas de bebidas em cidades fronteiriças como Puerto Iguazú e Bernardo de Irigoyen. Em setembro, a fiscalização aduaneira foi reforçada em centros urbanos como Buenos Aires, Córdoba, Paraná, Rosario, Mar del Plata e Posadas, resultando na apreensão de mais de 67 milhões de pesos em bebidas alcoólicas sem documentação.

Outras operações na capital argentina encontraram mais de 8 mil pares de calçados e mais de mil itens falsificados em uma galeria comercial, avaliados em cerca de 550 milhões de pesos. Adicionalmente, investigações conduzidas em depósitos na Grande Buenos Aires e em Puerto Iguazú apreenderam mercadorias estimadas em 1,5 bilhão de pesos, incluindo pneus, bicicletas, aparelhos de ar-condicionado e artigos domésticos.

O comércio eletrônico também abriu novas frentes para a entrada de produtos. Como parte de sua estratégia de liberalização, o governo facilitou compras internacionais pela internet. Em julho, as regras para aquisições realizadas por meio do Correo Argentino e de empresas de courier foram igualadas. O regime permite que pessoas físicas recebam encomendas de até 3 mil dólares por envio, com isenção de direitos de importação e de taxa estatística nos primeiros cinco envios anuais para parcelas de até 400 dólares, desde que os produtos não tenham finalidade comercial.

No entanto, analistas e empresários apontam que pequenos negócios utilizam essas facilidades de consumo pessoal para adquirir mercadorias destinadas à revenda, driblando os custos e controles impostos às empresas formais.

Impacto nas contas públicas e o dilema da fiscalização

A situação afeta as contas públicas em um momento em que o equilíbrio fiscal é prioridade para a administração de Javier Milei. O desvio do consumo para canais que não recolhem impostos integrais ameaça reduzir a arrecadação. Enquanto o setor privado cobra aduanas mais eficientes e rigor contra a informalidade, o governo demonstra receio de que o endurecimento da fiscalização resulte no retorno de práticas protecionistas.

Os dados oficiais do comércio exterior indicam que as importações formais recuaram 2,6% nos primeiros oito meses de 2026, enquanto as exportações cresceram 21%, gerando um superávit comercial de 18 bilhões de dólares no período. Para o governo, o desafio reside em consolidar uma economia aberta sem que a discrepância entre os mercados formal e ilegal beneficie a operação à margem das leis.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/a-outra-face-da-abertura-de-milei-a-explosao-do-contrabando-na-argentina/

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