O impacto da abstenção na corrida presidencial
A eleição presidencial de 2026 caminha para uma disputa imprevisível, onde o sucesso dos candidatos não dependerá apenas da conquista de novos votos, mas da capacidade de mobilizar o eleitorado. Segundo Marcelo Tokarski, CEO do instituto de pesquisas Nexus, a abstenção surge como o fiel da balança em um cenário de empate técnico.
A pesquisa BTG/Nexus, realizada entre 11 e 13 de setembro com 2.003 entrevistados, aponta Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, o quadro é de 47% para o petista e 46% para o adversário, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Polarização e terceira via
Tokarski observa que a polarização se intensificou, provocando o retorno de eleitores que antes buscavam alternativas, como Augusto Cury. O conjunto de candidaturas de terceira via, que somava mais de 20%, caiu para cerca de 15%. Para o especialista, o excesso de ruído político tem levado o eleitor a manter sua opinião, sem demonstrar revolta significativa contra os líderes.
Sobre a migração de votos, o CEO da Nexus refuta a ideia de transferência automática de votos da direita para Flávio. Ele destaca que o eleitorado de candidatos como Ronaldo Caiado ou Romeu Zema possui nuances, como mulheres com resistência ao bolsonarismo ou eleitores de baixa renda, que podem optar por Lula.
O desafio da mobilização
O risco de abstenção é visto como um desafio central para a campanha de Lula, dado que sua base concentra eleitores de baixa renda e menor escolaridade, segmentos historicamente mais propensos a faltar às urnas. A preocupação é acentuada pelo possível encerramento de disputas estaduais no primeiro turno em várias unidades da federação.
Embora dados de 2022 sugiram que a abstenção possa cair no segundo turno mesmo sem disputas locais, Tokarski enfatiza que as máquinas eleitorais serão testadas. "Será o ponto central: a capacidade de mobilização de cada candidato", conclui o pesquisador, reforçando que, em uma margem tão estreita, o comparecimento às urnas será o fator decisivo.
