A Aclara Resources avalia a possibilidade de transferir para o Brasil a tecnologia de separação e refino de terras raras que atualmente desenvolve nos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta quinta-feira (8) pelo vice-presidente executivo da companhia, José Augusto Palma, durante um evento sobre minerais críticos realizado pelo Instituto Diálogos, em Brasília.
Segundo o executivo, o avanço tecnológico e as pesquisas da empresa visam viabilizar o ciclo completo de separação de sete terras raras essenciais. Atualmente, a Aclara desenvolve essa tecnologia em uma planta de demonstração no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, com testes que abrangem neodímio, praseodímio, disprósio, térbio, ítrio, gadolínio e samário.
Palma explicou que os Estados Unidos oferecem, no momento, condições mais vantajosas de custos e infraestrutura para abrigar unidades de separação e refino. A tecnologia norte-americana deverá abastecer o projeto Dynamo, instalação planejada para a Louisiana que utilizará carbonatos mistos gerados nos projetos da empresa no Brasil e no Chile. Contudo, o executivo afirmou que uma futura transferência da tecnologia para o Brasil não está descartada, desde que o país alcance condições mais competitivas para essa etapa da cadeia produtiva, ponderando que o desenvolvimento de uma indústria exige tempo e maturidade. A empresa ainda não definiu investimentos ou prazos para a instalação de uma refinaria em solo brasileiro.
Estratégia e projetos da Aclara
A estratégia da companhia busca criar uma cadeia ocidental integrada de terras raras para diminuir a dependência global em relação à China, que domina grande parte do processamento desses minerais. No Brasil, o principal empreendimento da mineradora é o projeto Carina, situado em Nova Roma, no estado de Goiás. A previsão da empresa é iniciar a produção comercial na unidade em 2028, com uma expectativa média anual de 4.378 toneladas de óxidos de terras raras.
Além disso, a Aclara firmou em setembro uma parceria com a agência estatal japonesa JOGMEC, que prevê investimentos de até US$ 4,5 milhões para explorar novos depósitos de terras raras em argilas iônicas no Brasil, com direito a 30% de participação em um dos empreendimentos — excluindo o projeto Carina. Palma informou que a mineradora realiza pesquisas em diversos estados brasileiros e mantém a expectativa de anunciar novos projetos no decorrer de 2027.
