A Aclara Resources atualizou a estimativa de investimento para a construção de uma refinaria de terras raras no estado da Louisiana, nos Estados Unidos, elevando o valor de US$ 277 milhões para US$ 494 milhões, o que equivale a cerca de R$ 2,5 bilhões. O aumento representa uma alta de 78% no orçamento do empreendimento, batizado de projeto Dynamo.
O anúncio da revisão foi feito nesta terça-feira (13), após a conclusão dos estudos de engenharia básica da unidade. Conforme a mineradora, o reajuste decorre principalmente da ampliação da capacidade industrial, da inclusão de novas linhas de processamento e de um maior detalhamento nos custos de construção, elaborado pela empresa de engenharia Hatch com um orçamento de Classe 3.
Com as modificações, a produção total projetada de óxidos separados de terras raras deve registrar um acréscimo de 157%, saltando de aproximadamente 1.265 para 3.255 toneladas anuais, caso os projetos fornecedores de matéria-prima operem em plena capacidade.
Expansão do escopo industrial
Inicialmente focado na separação de neodímio-praseodímio (NdPr), disprósio e térbio — elementos essenciais para ímãs permanentes de alto desempenho —, o escopo do projeto Dynamo foi ampliado. Na semana passada, a companhia incluiu três novas linhas para a produção de ítrio, gadolínio e samário, com aplicações voltadas para geração de energia, indústria aeroespacial e tecnologias avançadas.
Houve também um acréscimo de cerca de 42% na capacidade de separação de disprósio e térbio para absorver o material do projeto Penco, no Chile. A nova configuração produtiva prevê:
- Óxido de disprósio: de 140 para 200 toneladas anuais.
- Óxido de térbio: de 25 para 35 toneladas anuais.
- Neodímio-praseodímio (NdPr): de 1.100 para 1.300 toneladas anuais.
- Óxido de ítrio: 1.350 toneladas anuais.
- Gadolínio: 180 toneladas anuais.
- Samário: 190 toneladas anuais.
Para suportar o volume ampliado, o total de equipamentos de mistura e decantação passará de 340 para 478.
Conexão com Brasil e Chile
A refinaria estadunidense integra a estratégia da Aclara de estabelecer uma cadeia de terras raras fora da China. A unidade vai processar minerais originados na América do Sul. No Brasil, o principal ativo da empresa é o projeto Carina, situado em Nova Roma (GO), com produção comercial prevista para o segundo semestre de 2028. A operação brasileira gerará um carbonato misto de terras raras de alta pureza, que será remetido aos Estados Unidos para a separação em óxidos individuais.
A preparação do terreno na Louisiana está programada para começar no primeiro trimestre de 2027, com conclusão da obra no segundo semestre de 2028, dependendo da obtenção de financiamento e cumprimento de requisitos regulatórios.
Financiamento e planos futuros
A Aclara busca recursos junto ao Export-Import Bank of the United States. Em setembro, a instituição emitiu uma carta de interesse para um potencial financiamento de até US$ 750 milhões para a plataforma industrial na Louisiana, abrangendo a refinaria e futuras instalações de metais e ligas. A carta, contudo, não constitui aprovação definitiva de crédito.
Embora o refino inicial ocorra nos EUA, executivos da mineradora indicam que avaliam a possibilidade de transferir a tecnologia de refino para o Brasil no futuro, a depender do avanço mineral e tecnológico, embora nenhum investimento em refinaria comercial tenha sido anunciado para território brasileiro até o momento.
