Os papéis de companhias brasileiras negociados na Bolsa de Nova York registraram forte alta na noite deste domingo, 4, impulsionados pela liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno da disputa presidencial. Por volta das 21h50, no horário de Brasília, o iShares MSCI Brazil (EWZ) apresentou um salto de 8,72%, com suas cotas cotadas a 41,52 dólares cada.
O EWZ funciona como um fundo de índice (ETF) negociado em Nova York que replica o desempenho das 46 principais ações do Brasil. Analistas utilizam o indicador para medir a percepção de investidores estrangeiros a respeito do país. A reação acentuada dos ativos neste domingo sugere um comportamento positivo semelhante para o Ibovespa, principal índice da bolsa nacional, durante o pregão da segunda-feira, 5.
O principal motor dessa movimentação foi o desfecho do primeiro turno na corrida pela Presidência da República. Contrariando a maior parte dos levantamentos de intenção de voto, que colocavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numericamente à frente, a apuração oficial revelou um cenário diferente. Com 99,7% das urnas apuradas, o parlamentar liderava com 47,09% dos votos válidos, ao passo que Lula registrava 45,09%. Dessa forma, o senador garantiu a ida ao segundo turno em condição favorável em relação ao atual presidente.
Especialistas avaliam que a alta do EWZ reflete a percepção do mercado de que Flávio estaria mais alinhado a um ajuste fiscal rigoroso capaz de conter o crescimento da dívida pública, abrindo margem para a redução dos juros e maior atratividade de ativos de renda variável. Em contrapartida, Lula busca convencer o mercado sobre a organização das contas públicas, embora o indicador da dívida bruta tenha passado de 72% para 83% do PIB ao longo de seu terceiro mandato.
Na semana anterior ao pleito, surgiram informações na imprensa, sem confirmação oficial por parte da campanha, indicando que o senador poderia apresentar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de Transição com foco em um corte de gastos de 300 bilhões de reais caso fosse eleito. Por outro lado, Lula enfrenta divergências internas em sua equipe: Sérgio Gabrielli, coordenador de seu programa de governo, declarou enfaticamente que a crise fiscal constitui uma falsa notícia, enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com agentes do mercado financeiro na Faria Lima para prometer revisões no arcabouço fiscal com o objetivo de conter despesas e estabilizar a dívida pública.
