A Meta, empresa responsável por plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp, tornou-se o centro de debates políticos durante as eleições deste ano, enfrentando acusações de suposta interferência no pleito, remoções de publicações, bloqueios de contas e questionamentos sobre o alcance de perfis de candidatos. A atuação da companhia gerou cobranças do Ministério Público Federal (MPF), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e até de parlamentares dos Estados Unidos.
Na última terça-feira (20), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) relatou dificuldades para compartilhar um vídeo de apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no Instagram. A postagem trazia depoimento de moradores do Nordeste e trilha sonora dos artistas Rubel e Xande de Pilares. Após a Meta informar a remoção do áudio por solicitação de direitos autorais, Nikolas acusou o cantor Rubel de acionar a produtora Sony Music Brasil para derrubar o som, em meio a declarações públicas de apoio do músico à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Meta informou que regras de direitos autorais podem resultar na remoção de conteúdos independentemente de intenção ou crédito.
No mesmo dia (20), a Meta negou ao TSE que esteja desrespeitando ordens judiciais ou favorecendo candidaturas, afirmando que aplica regras uniformes de distribuição e restrições a anúncios pagos. No entanto, o Comitê de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes no controle de conteúdo eleitoral e criticou o tratamento dispensado às contas de anúncios da campanha de Lula.
Na quarta-feira (21), o MPF intensificou as cobranças e recomendou que a Meta adote medidas urgentes de transparência e proteção à liberdade de expressão, estipulando um prazo de 48 horas para respostas e 30 dias para um relatório conclusivo. O órgão criticou respostas anteriores da empresa sobre o bloqueio automático de mais de 200 mil perfis — justificado pela companhia com base em critérios de silêncio eleitoral e uso de inteligência artificial — classificando-as como genéricas e apontando suspensões sem justificativa individualizada ou enquadramentos indevidos.
Na quinta-feira (22), a Meta removeu um vídeo do cantor MC Cabelinho em parceria com o portal Revelando, que tratava de acusações contra Flávio Bolsonaro. A empresa justificou a remoção por sinalização de uso de inteligência artificial, proibido pela plataforma a 72 horas das eleições, no dia do pleito e no dia seguinte. A companhia ponderou que o uso de aplicativos de edição pode inserir sinais de inteligência artificial lidos automaticamente pelos sistemas. Posteriormente, o conteúdo foi republicado sem o selo, enquanto o projeto responsável negou o uso de IA.
Também na quinta-feira (22), a Justiça Eleitoral determinou que a Meta explique em até 12 horas o alcance considerado "privilegiado" dos perfis de Nikolas Ferreira, Pablo Marçal (PRTB), Flávio Bolsonaro e do candidato a vice Alfredo Gaspar (PL), sob pena de multa diária. A ordem atendeu a um pedido da campanha de Lula. Em nota, a Meta defendeu que o engajamento, e não o número de seguidores, impulsiona o desempenho dos conteúdos na plataforma.
No mesmo dia, foi revelada uma carta enviada por 12 congressistas democratas dos Estados Unidos e pelo senador independente Bernie Sanders ao CEO da Meta, Mark Zuckerberg, manifestando preocupação com restrições a conteúdos da campanha petista e suposta amplificação de material favorável a Flávio Bolsonaro. Especialistas independentes da ONU também questionaram a atuação da empresa, que nega de forma contumaz qualquer interferência no processo eleitoral.
