O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (9) a obtenção de um acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para ampliar o envio de diesel russo ao mercado global. A iniciativa tem o objetivo de conter os custos de energia antes das Eleições de Meio de Mandato, mas gerou contestações da Ucrânia e ceticismo de especialistas sobre a real eficácia da medida na redução dos preços.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou a medida como uma decisão frágil de parceiros fortes e afirmou que o acordo financiará a guerra russa. O anúncio coincidiu com a chegada de uma delegação ucraniana de alto nível a Miami, na Flórida, para reuniões com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
Em postagem nas redes sociais, Trump declarou que Putin concordou em liberar imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel aos mercados internacionais, com a promessa de outras 500 mil toneladas em novembro. Os volumes totalizam cerca de 6 milhões de barris, o equivalente a aproximadamente um dia e meio de consumo nos Estados Unidos, conforme dados da Administração de Informação sobre Energia dos EUA (EIA). Trump acrescentou que novos volumes podem ser enviados dependendo das refinarias russas e previu quedas recordes nos preços.
Analistas de mercado demonstraram ressalvas. Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners, avaliou que o acréscimo representa um aumento de 5% a 6% na oferta até o fim do ano e apontou que o uso de toneladas em vez de barris amplia a percepção pública dos números, definindo o anúncio como uma manobra política. Gregory Brew, do Eurasia Group, classificou a entrega — caso ocorra — como um mero paliativo e ponderou se a Rússia conseguirá reverter a proibição de exportações de diesel adotada em julho após ataques de drones ucranianos a refinarias.
Ex-integrantes do governo americano, como Richard Nephew, ex-vice-coordenador principal de política de sanções do Departamento de Estado, alertaram que o acordo danifica a credibilidade das sanções internacionais e enfraquece a posição dos EUA ao cobrar o cumprimento de restrições por terceiros países. Enquanto isso, autoridades locais informaram que recentes bombardeios russos na Ucrânia deixaram dezenas de mortos em meio à escassez de defesas antiaéreas.
