O economista Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) e coordenador da área de energia no programa do candidato Flávio Bolsonaro (PL), avalia que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve interromper a implementação de medidas voltadas ao setor de energia enquanto o processo eleitoral não for concluído. Em declaração à CNN, ele afirmou que o momento exige "desligar o rádio", apontando a imprevisibilidade do pleito e as visões distintas das principais campanhas.
Segundo Pires, a adoção de novas regras neste período "só gera insegurança e imprevisibilidade sobre o que estará valendo daqui a algumas semanas". Como exemplo, ele citou o decreto presidencial em vias de ser publicado para regulamentar o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center) e o dispositivo sobre fontes de "baixa emissão" para o atendimento energético de novos projetos.
De acordo com relatos recentes, tem prevalecido a posição do Ministério da Fazenda de excluir o gás natural e limitar os incentivos fiscais às energias renováveis, como eólica e solar, possivelmente restringindo a novas usinas por meio do critério de "adicionalidade". Pires manifesta discordância dessa diretriz e defende a complementaridade das fontes, argumentando que o gás natural, outras térmicas e até mesmo a energia nuclear precisam ser contempladas como alternativas de suprimento no Redata.
O especialista também mencionou que o MME (Ministério de Minas e Energia) anunciou, na quarta-feira (30), um calendário de leilões de contratação de energia elétrica para o intervalo entre 2027 e 2029. Além disso, ele classificou como "grave" a atitude do ministro Alexandre Silveira, que divulgou a bandeira verde nas contas de luz em uma rede social na sexta-feira (25).
Para o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, Silveira "atropelou a Aneel, que é a quem compete fazer essa divulgação". Pires pontuou que as bandeiras tarifárias derivam de cálculos puramente técnicos e que a conduta do ministro teve caráter político, acrescentando que, caso o resultado fosse bandeira vermelha, nenhuma manifestação teria ocorrido. Na visão de Pires, as recentes decisões e posturas do MME geram confusão entre os investidores, ferem a governança do setor e enfraquecem o discurso de autonomia das agências reguladoras.
