O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) apareceu na liderança em uma nova eleição estadual realizada neste domingo (20), segundo pesquisas de boca de urna. O cenário adverso atinge a União Democrata-Cristã (CDU), legenda do chanceler alemão Friedrich Merz, que enfrenta forte pressão decorrente do avanço da legenda e de partidos de esquerda.
No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, situado no nordeste do país, o AfD registrou 38% dos votos nas projeções da emissora pública alemã, assegurando o primeiro lugar. O resultado ocorre duas semanas após a sigla alcançar seu desempenho máximo anterior em um pleito regional, na Saxônia-Anhalt. A CDU de Merz pontuou com 5%, situando-se pouco acima da cláusula de barreira exigida para garantir representação no Parlamento estadual, o que intensifica o desgaste sobre o chanceler.
Em discurso após a divulgação das pesquisas, Friedrich Merz classificou o desempenho em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental como um “desastre”. Apesar disso, o chanceler manteve postura de enfrentamento e apontou a urgência de reformas para solucionar as dificuldades econômicas e as divisões crescentes na Alemanha, afirmando que a resposta não consiste em retornar aos tempos passados. Manifestações de descontentamento e vaias foram registradas no evento da CDU em Berlim durante o anúncio das projeções das duas regiões.
A copresidente do AfD, Alice Weidel, celebrou os dados e declarou em entrevista à CNN que a sigla constitui o novo partido popular na Alemanha. Weidel sustentou que o AfD superou a CDU e que a população demanda uma transformação na política, avaliando que Merz encontra-se profundamente enfraquecido e sem condições de permanecer na liderança da legenda frente a um chefe de governo considerado fraco.
As pautas centrais da campanha do AfD em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e na Saxônia-Anhalt — ambas regiões pertencentes à antiga Alemanha Oriental — exploraram a insatisfação popular com as disparidades econômicas e com a gestão de Friedrich Merz. A plataforma do partido incluiu propostas de deportação em massa de migrantes sem documentação, o encerramento da assistência militar à Ucrânia e o estreitamento de laços com a Rússia. Um candidato da legenda havia comparado anteriormente a estratégia do partido à agenda “America First” da administração de Donald Trump.
O pleito em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental também serviu de teste para o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, liderado pela governadora Manuela Schwesig, no poder desde 2017. Sendo a primeira mulher a comandar o estado, Schwesig focou sua campanha em temas como empregos, educação e coesão social, além de alertar sobre o avanço da extrema-direita. As pesquisas de boca de urna posicionaram o SPD logo atrás do AfD, com 36,5% dos votos. O estado lida com escassez de mão de obra qualificada decorrente do envelhecimento populacional e da baixa natalidade, contando com cerca de 50 mil trabalhadores imigrantes em sua economia, conforme dados da Reuters.
Paralelamente, em Berlim, o cenário eleitoral apresentou configurações distintas. As projeções de boca de urna indicam a liderança do partido esquerdista Die Linke com 26%, seguido pela CDU e pelos Verdes. O AfD figurou na quarta colocação na capital, registrando 13,5% dos votos — um avanço em comparação aos 9,1% obtidos no pleito parlamentar estadual de 2023, evidenciando expansão do apoio na capital cosmopolita. A questão do acesso à moradia destacou-se nos debates locais após uma década de alta nos aluguéis.
