A escalada da tensão nuclear
A agência de fiscalização nuclear da ONU está solicitando que o órgão responsabilize o Irã pelo descumprimento de salvaguardas destinadas a impedir o desenvolvimento de armas nucleares. A decisão, anunciada na última quarta-feira (9), marca um novo capítulo em uma crise de mais de uma década, período em que o país passou da conformidade à sabotagem direta das inspeções da AIEA.
Histórico de descumprimento
Desde o acordo nuclear de 2015, o Irã operou sob o regime de inspeção mais intrusivo do mundo. Contudo, após a retirada dos Estados Unidos do pacto pelo então presidente Donald Trump, o Irã desafiou sistematicamente as normas, incluindo a desativação de câmeras e a realização de revistas invasivas em inspetores. Relatórios indicam que o país ocultou locais relacionados a materiais nucleares e apresentou informações implausíveis para ganhar tempo.
O futuro das inspeções
Atualmente, a AIEA enfrenta um cenário crítico, sem acesso às instalações nucleares iranianas — exceto a usina de Bushehr — desde o início da campanha aérea dos EUA e Israel em fevereiro de 2026. Especialistas alertam que a agência perdeu a "continuidade de conhecimento" sobre o urânio e as centrífugas do país, tornando monumental a tarefa de restabelecer o monitoramento básico.
Reação diplomática
Em votação recente, 23 governadores do Conselho da AIEA decidiram denunciar Teerã ao Conselho de Segurança da ONU. O Irã classificou a resolução como política e desprovida de consenso. O impasse agora reside na eficácia de eventuais sanções, visto que Rússia e China, membros permanentes do Conselho, possuem poder de veto e se opuseram à medida.
