Uma empresa dos Estados Unidos especializada em capacitação linguística para forças armadas e órgãos de inteligência abriu uma vaga de emprego para instrutor de português brasileiro. A oportunidade foi divulgada neste mês pela Ascensus Global, companhia administrada por veteranos com deficiência decorrente do serviço militar.
De acordo com os detalhes informados pela companhia, o profissional contratado ministrará aulas, liderará dinâmicas de interpretação e tradução, além de integrar outras funções formativas voltadas a servidores públicos e militares norte-americanos. A empresa presta serviços de instrução em idiomas e cultura a mais de 40 clientes dos setores de inteligência, militar, governamental, comercial e entidades sem fins lucrativos dos Estados Unidos.
O cronograma do programa terá duração total de três semanas, ocorrendo no período entre outubro e novembro. O formato prevê a etapa inicial de maneira remota, enquanto as duas fases seguintes acontecerão de forma presencial na cidade de Montgomery, no estado do Alabama. Conforme a companhia, os custos de deslocamento do docente selecionado serão cobertos pelo empregador. Contudo, a publicação da vaga não especifica qual força militar, agência ou setor governamental americano será o destinatário do treinamento, nem aponta qualquer vínculo entre o processo seletivo e o pleito eleitoral brasileiro de 2026.
Contexto de tensões e alertas de inteligência
A abertura da posição ocorre em um cenário de elevação nas divergências entre Brasil e Estados Unidos, somada a uma presença mais ostensiva de Washington na região do Hemisfério Ocidental. Na terça-feira, 22, durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursou em favor de uma postura mais enérgica na América, declarando que o poder militar do país será empregado contra grupos considerados ameaças e equiparando cartéis de drogas ao Estado Islâmico, além de defender as medidas aplicadas na Venezuela.
Em discurso anterior na mesma Assembleia da ONU, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva repudiou intervenções estrangeiras em dinâmicas eleitorais e enfatizou a soberania das nações latino-americanas. Lula declarou que o país não aceita subordinação e que a região demanda cooperação em vez de pressões externas.
Paralelamente, o recrutamento coincide com advertências emitidas por autoridades do Brasil a respeito do risco de ingerência externa na votação de 2026. Um relatório confidencial produzido pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado no encerramento de agosto para a Presidência da República, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério da Justiça, elevou para um patamar de alta criticidade o risco de interferência norte-americana no sistema eleitoral brasileiro, apontando um cenário de escalada na pressão exercida pelos Estados Unidos.
