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Economia

Agronegócio de São Paulo movimenta R$ 657,6 bilhões e representa 18,9% do PIB estadual

Agronegócio paulista movimenta R$ 657,6 bilhões em 2024 e representa 18,9% do PIB do estado, apontam dados divulgados pela Secretaria de Agricultura.

Redação•29 de set. de 2026, 10:06
Agronegócio de São Paulo movimenta R$ 657,6 bilhões e representa 18,9% do PIB estadual
Imagem: site

Agronegócio de São Paulo movimenta R$ 657,6 bilhões e representa 18,9% do PIB estadual

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O agronegócio do estado de São Paulo alcançou uma movimentação financeira de R$ 657,6 bilhões no ano de 2024, montante que equivale a 18,9% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista e a cerca de 24% do PIB do setor em todo o país. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (28) pelo secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, durante um evento do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Apesar da relevância econômica, o segmento enfrenta um cenário de pressão sobre as margens financeiras dos produtores. Entre os principais fatores apontados estão os juros elevados, a alta nos custos de produção, a volatilidade de preços e a ocorrência de eventos climáticos adversos.

Dificuldades financeiras e crédito rural

Os reflexos do período desafiador aparecem no endividamento do setor. Levantamento apresentado pelo secretário aponta que, em julho de 2026, R$ 207,4 bilhões do estoque de crédito rural estavam em situação problemática, englobando operações em atraso, inadimplência, prorrogação ou renegociação. Esse valor representa 23,5% de uma carteira total de R$ 881,6 bilhões.

A deterioração financeira também se reflete nos pedidos de recuperação judicial. Em 2025, foram contabilizadas 1.990 solicitações de produtores rurais, o que representa um acréscimo de 56,4% na comparação com o ano anterior e estabelece um recorde na série histórica apresentada. Já no primeiro trimestre de 2026, o estado registrou mais 474 pedidos, alta anual de 21,9%.

Na avaliação do titular da pasta, as dificuldades não decorrem necessariamente de quedas na produtividade agrícola, mas sim da combinação desfavorável entre o custo do capital, o preço dos insumos e os valores recebidos pelas colheitas.

Diversificação produtiva e impactos setoriais

A economia agropecuária paulista se destaca por sua variedade, contando com mais de 20 cadeias que faturam individualmente acima de R$ 1 bilhão por ano, o que reduz a dependência de um único produto. Em 2025, o valor total da produção agropecuária no estado atingiu R$ 174,6 bilhões.

Entre os principais destaques econômicos estão:

  • Cana-de-açúcar: R$ 55,2 bilhões
  • Pecuária de corte: R$ 22,7 bilhões
  • Citricultura: R$ 19,7 bilhões
  • Ovos: R$ 13,7 bilhões
  • Café: R$ 9,6 bilhões
  • Soja: R$ 8,9 bilhões

Apesar da diversificação, diversas culturas sofreram com ciclos negativos. Em 2025, o mercado internacional do açúcar registrou queda de 22,1 nos preços, resultando em uma redução de 8,94 no valor da produção canavieira paulista. No setor de citros, 47,6% das plantas do cinturão citrícola foram atingidas pelo greening, ao passo que o consumo mundial de suco de laranja diminuiu 46,5% entre 2010 e 2026, com projeção de nova retração de 12,9% para a safra 2026/2027. A rentabilidade da soja ficou 36% abaixo da média no ano passado, enquanto os preços do amendoim operaram 22% abaixo dos custos de produção no segundo semestre de 2025.

Comércio exterior

No setor externo, as exportações do agronegócio de São Paulo somaram US$ 17,79 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, gerando um saldo positivo de US$ 13,83 bilhões e correspondendo a 36,6% das vendas totais do estado ao exterior no intervalo.

A pauta exportadora foi liderada pelo complexo sucroenergético (US$ 4,29 bilhões), seguido por carnes (US$ 3,02 bilhões), complexo soja (US$ 2,39 bilhões), produtos florestais (US$ 2,19 bilhões), sucos (US$ 1,22 bilhão) e café (US$ 1 bilhão). A China figurou como o principal mercado de destino, absorvendo 26,1% dos embarques do agro paulista, seguida pela União Europeia (14%) e pelos Estados Unidos (10,1%).

Produtividade e investimentos em infraestrutura

Como forma de manter a competitividade diante das margens espremidas, o estado registrou avanços nos índices de produtividade de diferentes culturas, como alta de 21% na soja, 22% na laranja, 31,2% no leite e 51% na banana. O setor também tem buscado novas fontes de receita na agricultura digital, biometano, bioeletricidade e combustível sustentável de aviação (SAF). A cana-de-açúcar responde por 36,6% da matriz energética de São Paulo, que concentra 53% da bioeletricidade gerada por essa matéria-prima no Brasil.

No aspecto logístico, o governo estadual aplicou R$ 140 bilhões no programa “SP Pra Toda Obra”, abrangendo mais de 1.500 intervenções em cerca de 60 mil quilômetros, com foco em estradas rurais e na expansão da capacidade da Hidrovia Tietê-Paraná, que passou de 2 milhões para 7 milhões de toneladas anuais.

“Hoje nosso desafio é transformar a escala já alcançada em maior capacidade de geração de valor”, declarou o secretário Geraldo Melo Filho.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/agro-paulista-movimenta-r-6576-bilhoes-e-responde-por-189-do-pib/

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