NewsHub
Economia

Agronegócio e soja entram como moeda de troca em encontro de Xi Jinping e Donald Trump

O agronegócio e o comércio de soja estão entre os temas do encontro entre Xi Jinping e Donald Trump nos EUA, podendo alterar rotas globais de exportação.

Redação•23 de set. de 2026, 12:28
Agronegócio e soja entram como moeda de troca em encontro de Xi Jinping e Donald Trump
Imagem: site

Agronegócio e soja entram como moeda de troca em encontro de Xi Jinping e Donald Trump

Ouça esta matéria em voz alta

O presidente chinês, Xi Jinping, desembarca nesta quarta-feira (23) nos Estados Unidos para um encontro com Donald Trump, marcando quase dez anos desde sua última visita ao país. Além de temas como inteligência artificial, minerais críticos e terras raras, o agronegócio — com foco principal na soja — integra a mesa de negociações e pode influenciar rotas de exportação, cotações nas bolsas internacionais e a participação do Brasil no comércio global da oleaginosa.

A nova cúpula ocorre quatro meses após a reunião dos líderes em Pequim, que terminou sem grandes avanços comerciais na pauta agro. A China chega ao encontro em solo norte-americano fortalecida, e o aumento nas compras de grãos pode servir como moeda de troca para buscar previsibilidade na relação econômica e um compromisso político mais sólido de Trump. Anteriormente, as barreiras comerciais criadas por Trump geraram insatisfação entre agricultores dos EUA que dependem do mercado asiático, cujos produtos agrícolas atingiram um faturamento de US$ 29 bilhões em 2024, antes do acirramento da guerra comercial.

Impacto na participação do Brasil

Há dez anos, a China dividia suas compras de soja igualmente entre o Brasil e os Estados Unidos, com proporção de 50% para cada. O cenário mudou no primeiro governo de Donald Trump, quando as retaliações comerciais direcionaram os chineses a adquirir volumes maiores da soja brasileira.

Dados da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) apontam que, das quase 180 milhões de toneladas de soja produzidas pelo Brasil em 2025, cerca de 80 milhões foram destinadas à China. Por sua vez, informações da Administração Geral de Alfândegas Chinesa indicam que, entre janeiro e agosto deste ano, as importações de soja dos EUA despencaram 34%, enquanto as vendas brasileiras avançaram 5% no mesmo período, somando 55,14 milhões de toneladas.

Acordos e posicionamento de especialistas

Existe um compromisso da China para importar 25 milhões de toneladas de soja norte-americana por ano até 2028. De janeiro a agosto, os chineses adquiriram cerca de 12 milhões de toneladas e, com o avanço da colheita nos EUA, os embarques devem ganhar força no final do ano.

Para Raphael Bulascoschi, analista de inteligência de mercado da Stonex, o fato de a China continuar comprando o grão norte-americano — mesmo mais caro — por meio da estatal SinoGrain é interpretado pelo mercado como um sinal de cumprimento do acordo. Segundo o analista, a medida funciona como porta de acesso e gesto de boa-fé para debater questões políticas e barganhar posições no xadrez geopolítico.

Yedda Monteiro, especialista em inteligência de mercado da Biond Agro, avalia que uma alteração tarifária capaz de tornar a soja dos EUA mais competitiva representaria um grande bônus para os Estados Unidos e mudaria as regras. A especialista ressalta que uma eventual negociação entre Washington e Pequim não deve substituir imediatamente a soja brasileira, mas pode alterar a distribuição das compras e impactar os preços.

André Nassar, presidente executivo da Abiove, afirma que um entendimento entre EUA e China para elevar as compras não favorece o Brasil. Além disso, o governo chinês já aponta investimentos na produção interna de soja para diminuir a dependência internacional. Nassar destaca que, assim como os EUA estimularam o consumo interno e a indústria de biocombustíveis após perderem espaço sem a China, o Brasil também precisa gerar consumo e criar novos usos para sua produção crescente.

Outros produtos do agronegócio

Em maio, após a viagem a Pequim, Trump declarou que a China havia se comprometido a ampliar em US$ 17 bilhões as compras de produtos do agro norte-americano, informação que nunca foi oficializada pelo governo chinês. Para avançar no acordo, analistas avaliam que é necessário derrubar a sobretaxa de 10% imposta pela China e herdada da guerra comercial de 2025. A possibilidade de flexibilização ganhou força após declarações do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que abriu margem em setembro para novos incentivos comerciais, incluindo possíveis isenções para sorgo e milho.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/agro-pode-se-tornar-moeda-de-troca-no-encontro-de-xi-jinping-e-donald-trump/

Compartilhar