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Economia

AGU e Gilmar Mendes agem contra indústria de precatórios do Banco Master

AGU e o ministro Gilmar Mendes atuam contra o uso de precatórios pelo Banco Master para obtenção de lucros e criação de patrimônio fictício.

Redação•25 de set. de 2026, 13:18
AGU e Gilmar Mendes agem contra indústria de precatórios do Banco Master
Imagem: site

AGU e Gilmar Mendes agem contra indústria de precatórios do Banco Master

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A Advocacia-Geral da União (AGU) e o ministro Gilmar Mendes intensificaram ações para coibir uma indústria de precatórios que era utilizada pelo Banco Master para obter lucro fácil com o suposto respaldo de integrantes do Judiciário. A utilização desse esquema veio à tona por meio de informações extraídas do telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro, cujos registros apontam articulações com advogados próximos a magistrados para assegurar decisões favoráveis em tribunais sobre precatórios e pré-precatórios adquiridos pela instituição financeira.

Precatórios consistem em obrigações de pagamento impostas pela Justiça a governos — federais, estaduais e municipais — após condenações definitivas, sem possibilidade de recursos. Segundo apurado, Daniel Vorcaro utilizou a comercialização desses títulos para injetar recursos e tentar salvar o Banco Master, investindo R$ 14,3 bilhões na aquisição de precatórios e direitos creditórios, categoria conhecida como pré-precatório, que dependiam de chancela judicial para render lucros.

O material obtido no aparelho telefônico do banqueiro indica tentativas de aproximação com juízes de tribunais federais e do Supremo Tribunal Federal (STF) para obter apoio às teses defendidas pelo banco. O ministro Gilmar Mendes foi um dos magistrados procurados por Vorcaro para tentar influenciar seu voto, mas o decano do STF votou de forma contrária, acompanhado pelo ministro André Mendonça. No mesmo julgamento, a posição favorável aos interesses de Vorcaro contou com os votos de Edson Fachin, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli.

Diante do cenário, Gilmar Mendes optou por submeter a discussão sobre a validade desses precatórios, com foco em títulos de usinas de álcool, ao plenário da Corte, visando uma deliberação com repercussão geral. O ministro declarou oposição a essa prática comercial fundamentada em dívidas questionáveis, ressaltando que, embora exista um mercado regular de precatórios, os casos associados a Daniel Vorcaro apresentam origem duvidosa.

Em paralelo, a AGU obteve uma vitória judicial para suspender um processo envolvendo R$ 4,7 bilhões em precatórios dessa natureza, determinando que os valores sejam mantidos sob a tutela do Tesouro Nacional até o desfecho do caso. Além disso, por iniciativa do ministro da AGU, Jorge Messias, o Conselho Monetário Nacional implementou exigências mais restritivas para a compra desse tipo de crédito judicial.

O ministro Jorge Messias declarou: "Essa fábrica de precatórios foi criada durante o governo Bolsonaro, quando medidas do governo passado criaram um ambiente favorável para esse tipo de negócio, que estava lesando os cofres públicos".

Entenda o funcionamento do esquema com precatórios

O Banco Master realizava a compra de créditos de precatórios de empresas, principalmente do setor sucroalcooleiro, com deságio, ou seja, pagando quantias inferiores ao potencial de valorização dos títulos após o encerramento do litígio judicial. Posteriormente, mediante fraudes financeiras ou declarações irreais de montantes, a instituição registrava esses papéis como créditos a receber vinculados ao seu patrimônio, embora o valor contábil superasse a realidade dos ativos.

Essa contabilização inflada permitia ao Banco Master projetar uma falsa imagem de solidez financeira perante órgãos fiscalizadores, em especial o Banco Central. Com a aparente saúde econômica sustentada por ativos sobrevalorizados, a instituição atraiu investidores, movimentou volumes expressivos em fundos e realizou operações de grande porte, acumulando um passivo bilionário encoberto por garantias de baixa qualidade.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2026/09/25/agu-e-gilmar-mendes-fecham-cerco-contra-industria-de-precatorios-usada-pelo-master.ghtml

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