Eleitores alemães comparecem às urnas neste domingo, 20, em uma votação em dois estados, incluindo a capital Berlim, considerada decisiva para o futuro político do primeiro-ministro Friedrich Merz. Embora o nome do premiê não esteja nas cédulas, o partido de extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha) busca ampliar sua votação e consolidar seu crescimento.
Há duas semanas, a legenda — conhecida pelo discurso anti-imigração e pela defesa de aproximação com o russo Vladimir Putin — obteve um resultado histórico em Saxônia-Anhalt, alcançando 44% dos votos e quase governando sozinha o antigo estado comunista. Agora, o partido tenta se tornar a primeira força de extrema direita a governar um estado alemão desde o período nazista, podendo atrair eleitores que normalmente apoiariam a União Democrata-Cristã (CDU), sigla conservadora liderada por Merz.
O resultado da apuração pode comprometer a permanência de Merz no poder após apenas 16 meses de gestão. Entre os riscos apontados estão um processo de sucessão ou até eleições antecipadas, embora tais cenários sejam vistos como difíceis de acontecer.
Disputa em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental
Cerca de 2,5 milhões de eleitores participam do pleito em Berlim, enquanto 1,3 milhão votam no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, situado na costa do Báltico. As urnas ficam abertas das 8h às 18h no horário local, em meio a um clima de forte tensão para o primeiro-ministro e seus aliados.
Com sua aprovação pessoal estimada em 10%, Merz tenta se sustentar no cargo ao prometer reformas sociais e econômicas amplas. Em declaração a industriais, o premiê afirmou: “Nós, como governo, fomos eleitos para um mandato de quatro anos; eu fui eleito para quatro anos”, acrescentando: “E quero aproveitar esses quatro anos para conduzir o país para fora deste período difícil.”
A gravidade da situação política levou o premiê a cancelar sua participação com um discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Uma autoridade do governo revelou que o cancelamento ocorreu porque a presença de Merz é considerada necessária em Berlim após o pleito.
O governo de Merz enfrenta testes severos devido à percepção pública de que o premiê descumpriu promessas de campanha voltadas a retomar o crescimento da principal economia europeia e a conter o avanço da AfD, que atua como o maior partido de oposição no Parlamento.
Na disputa na capital Berlim, a CDU concorre pelo primeiro lugar com a legenda de extrema-esquerda Die Linke, cujo foco central de campanha envolve a desapropriação de grandes empresas imobiliárias, motivada pelos elevados custos de aluguel. Mesmo nesse cenário, a AfD surpreende ao figurar na terceira ou quarta posição em um dos centros urbanos mais cosmopolitas da Europa.
