O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou neste domingo que o país não vai se deixar intimidar a ponto de retirar seu apoio à Ucrânia. Durante uma visita a Kiev marcada por ataques de drones russos, o líder alemão anunciou mais 1 bilhão de euros em ajuda militar para o território ucraniano.
Enquanto Merz e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, visitavam um memorial aos soldados mortos na guerra de quatro anos e a Academia de Ciências — local onde duas pessoas morreram em um ataque com drones na semana passada —, sirenes de ataque aéreo e explosões ecoaram pela capital. A Rússia tem intensificado os ataques com drones contra Kiev e outras cidades, visando instalações militares, infraestruturas de eletricidade, transporte e telecomunicações.
Em coletiva de imprensa conjunta, Merz declarou que Moscou tenta abalar o ânimo do povo ucraniano e anunciou 350 milhões de euros adicionais destinados a reparos no setor de energia. O chanceler reforçou que a Alemanha segue como a maior apoiadora da nação ucraniana.
“Fazemos isso não apenas para proteger a integridade territorial da Ucrânia; fazemos isso profundamente em nosso próprio interesse, pois é uma questão de segurança da Europa”, afirmou Merz, mencionando que a Rússia conduz campanhas de desinformação e ataques cibernéticos contra a ordem democrática europeia. O governo russo classificou as acusações de guerra híbrida como infundadas e resultado de histeria antirussa.
Executivos de empresas alemãs que viajaram com o chanceler assinaram 16 acordos com o governo e empresas ucranianas, avaliados em aproximadamente 6,5 bilhões de euros. Entre os pactos firmados, destacam-se contratos com a empresa Diehl Defence para o fornecimento de mísseis de defesa aérea IRIS-T, com a Hensoldt para equipamentos de radar e com a Quantum Systems para drones interceptadores a jato. Zelenskiy elogiou o novo drone interceptador SPYS, desenvolvido pela Quantum, destacando seus resultados promissores, e mencionou que os dois países estão na iminência de finalizar um amplo acordo de defesa envolvendo a produção de softwares, mísseis e drones.
A Rússia tem utilizado dezenas de drones de ataque a jato de alta velocidade diariamente para atingir alvos civis e militares desde o verão. No domingo, um dos ataques atingiu a Ponte do Norte, cruzando o rio Dnipro, o que danificou a pista e um sistema de abastecimento de água quente, além de ferir duas pessoas, segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.
Zelenskiy avaliou que a intensificação dos ataques aéreos contra infraestruturas ocorre devido a reveses russos no campo de batalha e prometeu retaliação. “Se nossas pontes desabarem, conseguiremos sair dessa situação, mas o povo dele também sentirá o impacto… Essa é a escalada máxima desta guerra”, pontuou o presidente ucraniano aos repórteres. As pontes de Kiev têm sido alvejadas desde a semana passada para romper conexões na capital e rotas logísticas.
O presidente ucraniano também revelou que o enviado de paz dos EUA, Steve Witkoff, enviou uma mensagem para instar o retorno às negociações trilaterais o mais breve possível. Segundo Zelenskiy, a Ucrânia está disposta a se reunir ainda neste mês com a expectativa de participação russa, mas sublinhou que os aliados ocidentais precisam intensificar a pressão sobre Moscou.
Na Academia de Ciências, Merz apelou diretamente para que Vladimir Putin encerre o conflito. “Estamos prontos para as negociações, estamos prontos para discutir o fim desta guerra, mas esses ataques bárbaros contra a população civil da Ucrânia precisam parar”, declarou o chanceler alemão.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou no sábado que continuará atingindo sistematicamente alvos ucranianos em retaliação a ataques do país vizinho, além de emitir alerta para que cidadãos estrangeiros e diplomatas evitem viagens à Ucrânia.
