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Alho importado pressiona produtores brasileiros e gera alerta no setor

Produtores brasileiros de alho reduzem área plantada em cerca de 15% devido à alta de custos e ao aumento das importações estrangeiras.

Redação•30 de set. de 2026, 09:31
Alho importado pressiona produtores brasileiros e gera alerta no setor
Imagem: site

Alho importado pressiona produtores brasileiros e gera alerta no setor

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Os produtores brasileiros de alho estão diminuindo a área destinada ao plantio em razão das dificuldades para competir com o item estrangeiro. De acordo com a Anapa (Associação Nacional dos Produtores de Alho), a safra atual registra uma retração estimada em cerca de 15% na área cultivada, em um momento marcado por despesas elevadas e maior fluxo de alho de fora do país no mercado nacional.

Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apontam que, após um recuo entre 2020 e 2024, as importações voltaram a subir no ano passado. Em 2025, o Brasil adquiriu 158,8 mil toneladas de alho fresco ou refrigerado, o que representa uma alta de 9,1% na comparação com 2024. Em termos financeiros, as compras totalizaram US$ 228,9 milhões, expansão de 11,3%.

Para Rafael Jorge Corsino, presidente da Anapa, o principal entrave reside na disparidade entre os gastos de produção locais e os valores do produto importado. O dirigente relata que cultivar um quilo de alho no Brasil demanda atualmente entre R$ 14 e R$ 16, enquanto a mercadoria estrangeira ingressa no mercado comercializada entre R$ 11 e R$ 12 por quilo. Segundo Corsino, a carga tributária, as taxas de juros e a dependência de combustíveis e fertilizantes vindos do exterior pressionam as despesas, espremendo as margens e fazendo com que agricultores vendam abaixo do custo.

Retração na área plantada e impacto no emprego

A perda de rentabilidade já se reflete nos campos. A Anapa calcula que os agricultores reduziram cerca de 2 mil hectares nesta temporada em relação ao ciclo anterior. Caso o cenário atual persista, a entidade projeta que outros 2 mil hectares possam deixar de ser cultivados na próxima safra. O impacto também atinge a empregabilidade, com estimativa de corte de aproximadamente 32 mil postos de trabalho devido à baixa na atividade.

O movimento de queda ocorre mesmo diante de avanços tecnológicos. Pesquisas que contaram com a participação de órgãos públicos ajudaram a aprimorar a qualidade, a produtividade e a criação de materiais livres de vírus. Contudo, a avaliação da associação é que os ganhos de produtividade não conseguem neutralizar a diferença de custos frente ao produto estrangeiro.

Participação de fornecedores internacionais

A Argentina manteve-se como a principal fornecedora do Brasil em 2025, respondendo por 87 mil toneladas (54,8% do volume importado e 59,1% do valor das compras). A China ocupou a segunda posição, com 67 mil toneladas e 42,2% do volume, seguida pelo Egito, com 3,9 mil toneladas.

Apesar da liderança argentina, a participação do país vizinho diminuiu em relação a 2024, quando detinha 70,4% do volume, ao passo que as aquisições de alho chinês saltaram 66,4%. Esse avanço ocorreu mesmo com a aplicação de medidas de defesa comercial, como um direito antidumping adicional de US$ 0,78 por quilo e uma tarifa de importação de 35% para o alho de consumo, estabelecidos pela Resolução Mdic/Gecex nº 797 em setembro de 2025.

Diante desse contexto, a Anapa defende que o Governo Federal reavalie ou encerre o compromisso de preço acordado com empresas chinesas. A entidade argumenta que o patamar acordado, inicialmente de US$ 16,90 e depois reduzido para US$ 15 por caixa de 10 quilos, fica abaixo do custo de produção nacional, que estaria na faixa de US$ 25 por caixa, somando impostos e encargos.

Novas frentes de preocupação

O setor também monitora o crescimento das importações de outras origens. A associação pretende acionar a defesa comercial brasileira para investigar uma possível prática de dumping nas exportações de alho pela Argentina, situação que afeta diretamente os produtores da região Sul — onde a área cultivada caiu de cerca de 8 mil hectares entre o fim dos anos 1980 e os anos 1990 para aproximadamente 1,5 mil hectares atualmente.

O Egito também entrou no radar após um crescimento superior a 300% nas vendas de alho ao Brasil neste ano. A Anapa protocolou denúncia junto às autoridades para apurar a origem do produto, manifestando receio de uma possível triangulação de alho chinês pelo território egípcio, além do fato de o item chegar ao mercado brasileiro sem tributos e a valores inferiores aos nacionais.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/alho-importado-pressiona-competitividade-e-preocupa-setor/

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