A coalizão Escudo das Américas, sob liderança dos Estados Unidos, propôs nesta terça-feira a aplicação de sanções coletivas contra 24 organizações criminosas regionais classificadas como uma ameaça compartilhada e imediata, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A medida foi anunciada por meio de um comunicado divulgado após um encontro de líderes do grupo na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), localizada em Nova York.
De acordo com o documento oficial, os signatários declararam a intenção de implementar o congelamento de ativos financeiros, além de restrições migratórias e de visto direcionadas a membros, associados e apoiadores das facções. O texto também prevê a responsabilização penal para indivíduos que prestarem suporte material de forma deliberada, o que abrange o apoio logístico a tais estruturas.
Fundado em março por iniciativa do presidente Donald Trump, o Escudo das Américas congrega aliados conservadores e incorporou recentemente Peru, Chile e Colômbia. O mecanismo busca estender para 15 países — totalizando cerca de metade da América Latina e do Caribe — o sistema de sanções que os Estados Unidos aplicam há décadas por meio de sua lista negra contra indivíduos e empresas que bloqueia o acesso ao sistema financeiro e empresarial.
Entre os 24 grupos afetados, que já figuram em sanções de Washington, encontram-se a Mara Salvatrucha (de El Salvador), o Tren de Aragua (da Venezuela), além de cartéis do México e facções armadas do Brasil, da Colômbia e do Peru. Para viabilizar as metas propostas, os signatários informaram que farão um pedido formal ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) visando ativar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), estabelecido em 1947.
O Tiar, concebido no início da Guerra Fria para o combate ao comunismo, possibilita a formação de um órgão consultivo voltado à coordenação de respostas. Contudo, a iniciativa enfrenta desafios, como a necessidade de cada nação aplicar as medidas conforme sua própria legislação e a oposição histórica de países como Brasil e México às propostas de Washington no âmbito do Tiar e da OEA.
Durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos impedirão o avanço de ameaças no hemisfério ocidental e ressaltou que o país utilizará seu poderio militar se houver necessidade. Nos últimos tempos, o Pentágono tem conduzido uma campanha com drones e ataques aéreos contra lanchas associadas ao narcotráfico no Pacífico e no Caribe, resultando em mais de 200 mortes em um ano, ao mesmo tempo em que crescem as deportações de suspeitos e missões de cooperação transfronteiriça, a exemplo de Equador e Colômbia.
