A confiança dos consumidores nos Estados Unidos apresentou uma nova queda expressiva, alcançando patamares historicamente baixos que superam o pessimismo visto em períodos críticos como a Guerra do Vietnã, a crise do petróleo nos anos 1970, os atentados de 11 de setembro, a Grande Recessão e a pandemia de Covid-19.
O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan recuou para uma leitura preliminar de 46,3, abaixo dos 48,1 registrados em setembro. Caso o resultado divulgado seja confirmado, o indicador marcará o segundo menor valor já registrado nos 74 anos de histórico da pesquisa. Cinco das leituras mais baixas da série histórica ocorreram neste ano, com maio registrando o ponto mais crítico.
Especialistas apontam que a pressão sobre o custo de vida e a inflação persistente afetam a percepção pública. "Isso apenas ressalta o quanto as pessoas estão se sentindo pressionadas, e obviamente não é um bom presságio para os republicanos à medida que nos aproximamos rapidamente das eleições de meio de mandato", avaliou James Knightley, economista-chefe internacional do ING. Nos últimos meses, houve alta nos preços da gasolina, retomada da inflação e aumento nas taxas de juros.
Contraste na economia em forma de "K"
O baixo sentimento contrasta com indicadores que mostram bom desempenho em partes da economia. Para Knightley, essa discrepância é explicada pela narrativa da economia em forma de "K", na qual as famílias de alta renda lideram os gastos. Dados do Federal Reserve indicam que os 20% mais ricos detêm mais de 70% da riqueza no país e respondem por 40% de todas as despesas.
Apesar disso, o economista alerta para os sinais de alerta sobre o desejo de consumo: 73% dos entrevistados consideram que o momento é desfavorável para adquirir eletrodomésticos, 78% avaliam o mesmo para a compra de veículos e 87% acreditam que não é um bom momento para comprar uma casa.
Queda na situação atual e alta nas expectativas de inflação
O recuo no índice geral foi puxado pela avaliação da situação econômica atual, que despencou 12,2% em relação a setembro, atingindo uma mínima histórica de 44,7. Joanne Hsu, diretora das Pesquisas de Consumidores da universidade, afirmou em comunicado que a queda foi acentuada entre eleitores independentes, consumidores de baixa renda e pessoas com baixa exposição ao mercado de ações. A aprovação da política econômica do governo também sofreu variações, registrando queda entre os republicanos.
No aspecto inflacionário, as expectativas para o próximo ano subiram para 4,7%, frente aos 4,6% anteriores. O Federal Reserve acompanha de perto essas projeções para avaliar os impactos nos preços, salários e na demanda. A próxima leitura oficial da inflação americana está programada para ser divulgada com o Índice de Preços ao Consumidor de setembro.
