A advogada e lobista Roberta Luchsinger afirmou em entrevista à CNN Brasil que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mentiu ao negar que seu filho, Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, participava de reuniões com ministros de Estado. Segundo Roberta, que se identifica como amiga pessoal de Lulinha, o primogênito do presidente se encontrava semanalmente com ministros para dialogar e trocar ideias.
De acordo com a declaração de Roberta, é público e notório que Fábio Luiz esteve diversas vezes com ministros, chegando a viajar para a residência de Camilo Santana, titular da pasta. A advogada rebateu as falas do presidente em cadeia nacional e afirmou que as negativas de Lula configuram mentira. Ela também declarou que o filho do presidente participou e ouviu discussões voltadas à liberação e comercialização de extrato de maconha, o canabidiol, produto cuja compra ela tentava articular nos bastidores do Ministério da Saúde.
Roberta justificou sua decisão de vir a público afirmando que tem sido alvo de agressões e ameaças de morte no decorrer das investigações, além de relatar indignação com as declarações do chefe do Executivo, que a classificou como pilantra em entrevistas. A lobista argumenta que as falas presidenciais a colocam em situação de vulnerabilidade e ameaçam a segurança de suas duas filhas.
A investigação da Polícia Federal aponta que Roberta mantinha uma sociedade oculta com Lulinha e com Fernando Bittar para atuar junto a órgãos da administração pública federal. Relatórios de apuração indicam trocas de mensagens em que a advogada mencionava a atuação conjunta do núcleo para influenciar negócios milionários e relatar proximidade com o grupo, além de mencionar propostas de cargos no governo.
Em sua defesa e nas conversas reveladas pelo inquérito, Roberta descreveu a dinâmica de articulação política que conduzia em Brasília, incluindo pedidos de prioridade e agendamentos intermediados por Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A investigada também confirmou o pagamento de faturas e despesas pessoais de Marcola, totalizando 217.098 reais entre fevereiro e novembro de 2024, e manifestou intenção de colaborar com as autoridades por meio de uma delação premiada.
