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Amostra da NASA em Marte pode ter bioassinatura, mas retorno é incerto

Amostra Sapphire Canyon coletada pelo rover Perseverance em Marte apresenta bioassinatura potencial, mas o cancelamento do programa de retorno da NASA gera incerteza sobre o acesso ao material.

Redação•12 de out. de 2026, 20:53
Amostra da NASA em Marte pode ter bioassinatura, mas retorno é incerto
Imagem: site

Amostra da NASA em Marte pode ter bioassinatura, mas retorno é incerto

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O rover Perseverance, da NASA, coletou uma amostra de rocha em Marte que pode conter evidências de vida antiga, mas o futuro do material permanece incerto devido a impasses no programa de retorno à Terra. Batizada de Sapphire Canyon, a amostra possui manchas semelhantes às de um leopardo e foi extraída de afloramentos rochosos na Cratera Jezero em julho de 2024.

A rocha foi retirada de uma estrutura em forma de ponta de flecha chamada Cheyava Falls. Membros da equipe científica afirmam que os minúsculos pontos encontrados no material lembram frentes de reação ou pontos de redução, formações que na Terra costumam surgir quando micróbios digerem matéria orgânica enterrada. Para Adrian Broz, pesquisador da Universidade Purdue e membro da equipe científica, esta é a primeira vez que algo qualificável como bioassinatura potencial é encontrado em Marte.

Apesar do potencial científico, o material está guardado no chassi do Perseverance sem garantia de quando — ou se — será trazido para a Terra. O programa de Retorno de Amostras de Marte, desenvolvido em parceria com a Agência Espacial Europeia, enfrentou custos elevados, revisões e projeções orçamentárias que chegaram a US$ 11 bilhões. A iniciativa foi suspensa, reavaliada e posteriormente encerrada pela NASA. A agência gastou cerca de US$ 2,5 bilhões no projeto até seu cancelamento e agora avalia opções comerciais ou internacionais mais simples.

Especialistas ressaltam que os instrumentos a bordo do Perseverance, construído por cerca de US$ 2,4 bilhões, não possuem capacidade para realizar análises definitivas de forma autônoma. Segundo a professora Briony Horgan, da Universidade Purdue, as amostras coletadas representam a melhor oportunidade atual para compreender se a vida é comum no universo ou se a Terra é um caso único. No entanto, os cientistas afirmam que análises laboratoriais aprofundadas no planeta natal são indispensáveis para evitar confusões com processos químicos ou geológicos puramente abióticos — lição aprendida após o estudo do meteorito marciano Allan Hills 84001.

Enquanto a NASA reavalia os próximos passos sob a gestão do administrador Jared Isaacman — que reiterou o interesse em resgatar o material por robôs ou astronautas —, a China avança com planos próprios. Com lançamento orbital previsto para 2028 e missão de pouso em 2031, a missão chinesa Tianwen-3 busca trazer amostras do planeta vermelho e conta com uma lista de potenciais locais de pouso em regiões com histórico de água líquida.

Empresas privadas também estudam alternativas de resgate, como a proposta da Lockheed Martin de realizar a missão por um valor inferior a US$ 3 bilhões até 2037. Enquanto isso, as amostras continuam armazenadas em tubos na superfície marciana, aguardando uma definição sobre o transporte para laboratórios terrestres.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/ciencia/nasa-pode-ter-provas-de-que-a-vida-existiu-em-outro-planeta-mas-os-cientistas-podem-nunca-ter-acesso-ao-material/

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