O Estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que separa a Península Arábica da África e conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Aden, ao Oceano Índico e ao Mediterrâneo, tornou-se uma ferramenta estratégica central para o Irã por meio de seu apoio aos Houthis no Iêmen. Com cerca de 32 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, a rota respondia por aproximadamente 30% do tráfego global de contêineres antes dos conflitos atuais.
Desde 1979, o governo revolucionário iraniano tem expandido sua influência no Oriente Médio construindo redes armadas em Estados frágeis por meio do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e da Força Quds. No Iêmen, os Houthis — que adotaram o nome Ansar Allah — receberam armamentos, componentes de mísseis, drones, treinamento e expertise técnica, transformando uma insurgência local em uma força de relevância global.
A situação regional sofreu alterações com políticas adotadas pelos Estados Unidos. O governo Biden revogou a classificação dos Houthis como Organização Terrorista Estrangeira — imposta anteriormente pelo presidente Donald Trump —, encerrou o apoio a operações ofensivas sauditas e retirou recursos militares da região. Nesse contexto, o Irã intensificou o suporte aos Houthis. Em 2023, após os ataques do Hamas em 7 de outubro, os Houthis passaram a lançar mísseis e drones contra Israel e a atacar navios comerciais no Mar Vermelho e no estreito.
Em 10 de janeiro de 2024, após um grande ataque Houthi contra navios comerciais e forças navais lideradas pelos EUA, reuniões diplomáticas em Omã falharam e o presidente Biden ordenou ataques militares contra alvos Houthis, com apoio internacional. Posteriormente, o presidente Trump restabeleceu a classificação terrorista do grupo e intensificou as ações militares, resultando em um entendimento intermediado por Omã que reduziu temporariamente os ataques a embarcações dos EUA.
Na semana passada, contudo, forças Houthis conquistaram novas posições ao longo da costa do Iêmen no Mar Vermelho com vista direta para o Estreito de Bab el-Mandeb e avançaram para a ilha de Mayyun, também conhecida como Perim. Com artilharia e foguetes convencionais posicionados na área, o grupo agora possui capacidade de atingir navios diretamente, conferindo ao Irã um novo trunfo estratégico na região.
