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Análise: seis consequências de seis meses de guerra entre EUA, Israel e Irã

A guerra entre EUA, Israel e Irã completa seis meses com impasses militares, queda na popularidade de Trump e sérias consequências para a economia e segurança global.

Redação•27 de ago. de 2026, 13:40
Análise: seis consequências de seis meses de guerra entre EUA, Israel e Irã
Imagem: site

Análise: seis consequências de seis meses de guerra entre EUA, Israel e Irã

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O impasse de uma "pequena incursão"

Seis meses depois de Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã, a guerra que o presidente Donald Trump chamou de “pequena incursão” se transformou em um impasse profundamente impopular, que ameaça prejudicar sua presidência. O Irã não se rendeu, o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz continua severamente prejudicado e não há um caminho claro para o fim do conflito, que Trump chegou a prever que terminaria em quatro semanas.

Agora, em um aparente reconhecimento de que novos ataques militares não vão obrigar o Irã a fazer concessões, os Estados Unidos estão retomando uma campanha de pressão econômica, na esperança de enfraquecer ainda mais o governo iraniano. O secretário de Estado Marco Rubio disse a aliados que é improvável que os EUA lancem novos ataques “por enquanto”.

No cenário atual, ataques dos EUA mataram sete militares do Irã durante a noite, segundo informações do Exército. Em contrapartida, o Irã agiu contra o impacto do bloqueio dos EUA no petróleo, conforme declaração ministerial, e afirmou ter atingido instalações militares dos EUA na Jordânia. O que acontecerá a seguir é incerto, mas muitas das prováveis consequências duradouras da guerra — para Estados Unidos, Irã e economia global — já são evidentes.

1. Trump está pagando um preço político

A guerra era impopular desde o início e se tornou ainda mais. A aprovação de Trump caiu de 40% para 33% desde o começo do conflito, segundo pesquisa Reuters/Ipsos, enquanto o aumento dos preços da gasolina enfraqueceu a promessa feita por ele durante a campanha de 2024 de reduzir o custo de vida dos americanos. Trump, que fez campanha prometendo acabar com guerras, argumentou que o avanço do arsenal de mísseis e as ambições nucleares do Irã exigiam uma ação. Mas ele não convenceu a maioria dos eleitores. Apenas 31% dos americanos aprovam o conflito, segundo a pesquisa.

A insatisfação dos eleitores com os preços elevados representa um problema para o Partido Republicano de Trump antes das eleições legislativas de novembro, quando a legenda terá de defender maiorias apertadas nas duas casas do Congresso. O conflito também ampliou a divisão entre republicanos mais isolacionistas, que querem um fim rápido da guerra, e parlamentares republicanos que acreditam que Trump deveria manter a pressão militar sobre Teerã.

2. A guerra abalou a economia global — mas menos do que se temia

Os ataques dos EUA e de Israel provocaram alarme imediato porque o Estreito de Ormuz — que tem cerca de 34 quilômetros de largura no trecho entre Irã e Omã — transporta aproximadamente um quinto do fornecimento mundial de energia. A interrupção fez os preços do petróleo dispararem e gerou temores de uma recessão global. Em meio à guerra no Oriente Médio, Trump afirma que o bloqueio dos EUA ao Irã está funcionando.

Os danos foram significativos, mas menos graves do que muitos economistas inicialmente temiam. O Fundo Monetário Internacional reduziu duas vezes sua previsão de crescimento global desde o início da guerra e agora espera que a economia mundial cresça 3% neste ano, ante previsão de 3,3% em janeiro. Ainda assim, a economia global se mostrou mais resistente do que durante as crises do petróleo dos anos 1970. As grandes economias dependem menos de energia do que naquela época, enquanto gastos e investimentos elevados — incluindo o contínuo crescimento da inteligência artificial — ajudaram a amortecer o impacto.

3. Irã está enfraquecido, mas não derrotado

As forças armadas e a economia do Irã sofreram danos graves, mas Teerã ainda consegue lançar ataques e manter o Estreito de Ormuz fechado. Em maio, o principal comandante militar americano para o Oriente Médio, almirante Brad Cooper, disse ao Congresso que as forças dos EUA haviam destruído 161 embarcações navais iranianas e desativado 82% dos sistemas de defesa aérea do país. Segundo ele, a Força Aérea iraniana, que anteriormente realizava até cem missões por dia, havia deixado de operar.

Mesmo assim, o Irã mantém drones e mísseis e conseguiu atacar navios e instalações militares americanas na região. Em março, informou-se que os Estados Unidos tinham certeza de ter destruído apenas cerca de um terço do vasto arsenal de mísseis iraniano. A situação de outro terço era menos clara, mas os bombardeios provavelmente danificaram, destruíram ou soterraram parte desses mísseis em túneis e bunkers subterrâneos. A guerra matou milhares de pessoas e aprofundou a crise econômica iraniana, agravando a inflação e prejudicando o comércio. Em julho, a inflação dos alimentos chegou a 128% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o conflito colocou as divisões políticas em segundo plano e levou a uma repressão mais dura contra dissidentes.

4. Oriente Médio foi desestabilizado, expondo aliados dos EUA

A guerra entre Estados Unidos e Israel tinha como objetivo eliminar a ameaça iraniana, mas analistas afirmam que o conflito acabou fortalecendo Teerã e deixando a região menos segura. Ataques iranianos com mísseis e drones contra países árabes aliados dos EUA atingiram instalações militares e diplomáticas americanas e prejudicaram o transporte aéreo. Os ataques iranianos contra navios, combinados com um bloqueio dos houthis contra embarcações ligadas à Arábia Saudita no Mar Vermelho, elevaram os custos de seguros e transporte, prejudicando cadeias de abastecimento e aumentando a incerteza para as economias do Golfo.

5. Irã pode levar mais tempo para produzir uma arma nuclear

Os ataques americanos e israelenses danificaram gravemente três das instalações conhecidas de enriquecimento de urânio do Irã e locais suspeitos de trabalhos relacionados a armas nucleares. Ataques israelenses também mataram importantes cientistas nucleares. Avaliações da inteligência americana feitas em maio estimaram que o “tempo de ruptura” nuclear do Irã — período necessário para produzir material físsil suficiente para uma bomba — chegava a um ano, ante até seis meses antes da guerra.

Impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear é o principal objetivo declarado por Trump. Mas a situação real do programa nuclear é incerta porque os inspetores da ONU ainda não retornaram às instalações. A Agência Internacional de Energia Atômica não conseguiu verificar a localização de cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% desde os ataques de 2025. Esse estoque poderia potencialmente ser enriquecido novamente em uma instalação secreta. O Irã nega há muito tempo que esteja buscando construir uma bomba nuclear.

6. Capacidade militar dos EUA foi reduzida

As Forças Armadas americanas perderam drones e aeronaves por ataques e acidentes. Um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso afirmou que 42 aeronaves militares americanas foram perdidas. Os estoques de munições são uma grande preocupação, com os militares utilizando praticamente todo o estoque global de certos mísseis de precisão. Até julho, os EUA haviam utilizado cerca de 65% dos interceptadores Patriot e 38% do estoque de interceptadores THAAD.

Washington transferiu equipamentos da Europa e Ásia-Pacífico para o Oriente Médio, prolongando deslocamentos. O porta-aviões USS Gerald R. Ford passou mais de um ano em missão, seu maior período desde a Guerra do Vietnã. Houve preocupações com as condições no USS Abraham Lincoln após 200 dias no mar, sendo recentemente substituído por outro porta-aviões do Pacífico, evidenciando a pressão nos recursos militares. Pesquisa indica que 6 em cada 10 americanos veem a guerra com o Irã como um erro.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-seis-meses-guerra-eua-israel-ira/

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