O governo federal anunciou na sexta-feira (9) um pacote de medidas voltado para a redução dos preços dos combustíveis. O conjunto de ações inclui a desoneração de impostos federais sobre a gasolina, a retirada de tributos sobre o combustível e a concessão de novas subvenções. A vigência das medidas é de 30 dias, período em que o custo somado das desonerações e subvenções para a gasolina, o etanol e o diesel atingirá R$ 5,2 bilhões aos cofres públicos.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a iniciativa busca mitigar os reflexos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e a pressão exercida nas bombas dos postos. O conflito teve início no fim de fevereiro deste ano e provocou a elevação global dos custos de energia, impactando tanto as cotações do petróleo quanto os valores cobrados ao consumidor. Atualmente, o barril do Brent, que serve como referência internacional, opera acima de US$ 100.
No entanto, especialistas ouvidos pelo CNN Money apontam que as ações, anunciadas a pouco mais de duas semanas do segundo turno das eleições, são consideradas insustentáveis. Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, avalia que as medidas não deveriam ser adotadas. “Isto é insustentável do ponto de vista fiscal”, afirma, ressaltando ainda que será complexo retirar os subsídios posteriormente e que, sem eles, o preço da gasolina superaria R$ 9 por litro.
No mês anterior, o governo já havia aplicado uma desoneração de R$ 0,63 por litro de gasolina. Com o novo pacote, houve a ampliação de R$ 0,26 por litro na redução de impostos sobre o combustível. Segundo projeções da equipe econômica, o custo total da desoneração da gasolina durante a vigência da regra será de R$ 2,8 bilhões, sendo que apenas o acréscimo de R$ 0,26 por litro representa uma despesa adicional de R$ 700 milhões.
Paralelamente, os ministérios elevaram a subvenção à gasolina de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro, o que gera um impacto fiscal suplementar estimado em R$ 800 milhões mensais. Com isso, as ações conjuntas de desoneração e subvenção voltadas à gasolina somam R$ 3,6 bilhões aos cofres públicos no período. Adicionalmente, foi estabelecida uma nova subvenção específica para o diesel importado, fixada em R$ 1,40, com custo extra de R$ 1,6 bilhão pelos mesmos 30 dias.
“O governo está utilizando recursos públicos para amortecer uma pressão internacional sobre os combustíveis, sem resolver suas causas estruturais. O consumidor pode pagar menos hoje, mas isso não significa que o problema esteja resolvido”, pontua Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.
Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o anúncio — realizado a 16 dias do segundo turno das eleições de 2026 — tem caráter paliativo e demonstra traços de desespero pré-eleitoral. “Elas reforçam a falta de compromisso da administração com as contas públicas e com as flutuações de mercado, ou condições de oferta e demanda”, declara. Na mesma linha, o especialista em contas públicas Murilo Viana aponta que o fator eleitoral não pode ser desconsiderado e que a desoneração pressiona o orçamento, embora pondere que a medida se alinha a práticas internacionais e possui apelo popular.
