A Anthropic divulgou em seu pedido de IPO, apresentado na segunda-feira, um plano complexo de governança voltado para definir quem controlará a empresa de inteligência artificial à medida que a tecnologia avança. A expectativa apontada é de que a startup seja avaliada em US$ 1,5 trilhão, o que a posicionaria como a empresa de benefício público mais valiosa do mundo.
Segundo a legislação de Delaware, a estrutura exige que o laboratório de inteligência artificial equilibre os interesses dos acionistas com a promoção de um bem maior. A desenvolvedora sediada em São Francisco concedeu 50,1% do poder de voto em determinadas questões aos seus sete cofundadores, considerados pelo documento como gestores capacitados para a missão. O poder de voto abrangerá as eleições de diretores e propostas de acionistas.
O prospecto revelou que, após a saída da maioria dos cofundadores e a venda de suas ações com direito a voto múltiplo "Classe F", o conselho se dividirá em três grupos de tamanho semelhante, com mandatos de três anos. A adoção desse sistema de reeleição assemelha-se ao do Senado dos EUA e visa impedir aquisições hostis, contrariando tendências recentes de governança corporativa americana que priorizam eleições anuais de diretores e maior receptividade às demandas de acionistas.
Além do conselho, a Anthropic conta com um fundo fiduciário de benefícios de longo prazo presidido por Neil "Buddy" Shah, líder global em saúde. O fundo detém ações "Classe T" e elege a maioria do conselho. A estrutura estabelece regras para preservar a flexibilidade de longo prazo caso as circunstâncias mudem, exigindo que os diretores sigam disposições ligadas ao propósito de benefício público mesmo que as ações Classe T sejam adquiridas por partes não vinculadas à missão da empresa.
Devido ao controle do fundo sobre o conselho, a Anthropic é enquadrada como "empresa controlada" pelas regras da Nasdaq, isentando-se de obrigações como a manutenção de um comitê independente de nomeação e governança corporativa. A companhia utiliza essa isenção para incluir Daniela Amodei, presidente e irmã do CEO Dario Amodei, no referido comitê.
O conselho da Anthropic também conta com um comitê de segurança e risco integrado por Vas Narasimhan, CEO da Novartis, e por Chris Liddell, ex-funcionário da Casa Branca de Trump. Reed Hastings, cofundador da Netflix, atua como diretor independente principal. No futuro próximo, os sete cofundadores — incluindo os irmãos Amodei — seguem no centro da governança, impulsionados pela entidade "Founder LLC", que detém a segunda maior influência nas eleições do conselho, logo após o fundo fiduciário.
