O secretário-geral da ONU, António Guterres, encerrou seu mandato com um discurso que destacou os desafios globais e a necessidade de cooperação internacional. Em seu último discurso na Assembleia Geral, ele alertou sobre a fragmentação do mundo, a crise climática e o avanço da inteligência artificial, destacando que a humanidade enfrenta uma convergência sem precedentes de ameaças.
Poder e fragilidade do sistema global
Guterres destacou que o poder está sendo remodelado de três formas: entre os Estados, pela transferência para corporações privadas e indivíduos, e pela transferência para as máquinas. Ele advertiu que as instituições globais ainda refletem realidades de uma era superada, o que exige uma reformulação do sistema de governança.
O líder da ONU criticou a multipolaridade como um risco de fragmentação, alertando que o mundo pode se dividir em blocos rivais com sistemas separados. Ele propôs um modelo de multipolaridade em rede, baseado em interdependência e regras compartilhadas, para evitar tendências hegemônicas.
Quatro grandes testes de poder
Guterres identificou quatro desafios globais: guerra e paz, desigualdade, crise climática e inteligência artificial. Ele destacou que a guerra aprofunda a desigualdade, a crise climática alimenta a instabilidade e a IA pode resolver ou piorar esses problemas.
Sobre a guerra, ele criticou a violência no Oriente Médio, a invasão russa à Ucrânia e a guerra no Sudão, alertando que o poder deve ser exercido em conformidade com a lei. Ele também exigiu a reforma do Conselho de Segurança da ONU para incluir representação africana permanente.
Sobre a desigualdade, Guterres destacou a exclusão de bilhões de pessoas do acesso a educação, saúde e trabalho decente, criticando a dívida insustentável e a falta de financiamento para adaptação climática. Ele também alertou sobre a discriminação contra mulheres e meninas.
Sobre a crise climática, ele advertiu que o mundo está a caminho de violar o limite de 1,5 grau de aquecimento global, exigindo transição justa e financiamento para adaptação. Ele criticou a mineração de minerais críticos e a falta de justiça climática.
Sobre a inteligência artificial, Guterres alertou sobre os riscos de sistemas não regulamentados e decisões entregues às máquinas. Ele exigiu regulamentação global, transparência e cooperação entre governos, cientistas e a sociedade civil.
Chamado à ação
Guterres encerrou o discurso chamando a humanidade a agir com responsabilidade, defendendo a paz, a justiça e a segurança coletiva. Ele destacou que a ONU deve ser reformada para enfrentar os desafios atuais e construir um futuro comum.
