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Apenas 10% dos candidatos a governador são citados por todas as IAs

Estudo do ITS Rio aponta que apenas 10% dos candidatos a governador registrados no TSE são citados por todas as sete IAs analisadas.

Redação•16 de set. de 2026, 08:28
Apenas 10% dos candidatos a governador são citados por todas as IAs
Imagem: site

Apenas 10% dos candidatos a governador são citados por todas as IAs

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Pesquisa realizada pelo ITS Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio), obtida com exclusividade pela CNN, revelou que apenas 10% dos candidatos a governador oficialmente registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) são mencionados por todas as ferramentas de inteligência artificial analisadas. Do total de 197 candidaturas registradas para os governos estaduais, apenas 20 aparecem em todas as plataformas examinadas.

O estudo avaliou as respostas de sete ferramentas: ChatGPT, Gemini, Meta AI, Grok, DeepSeek, Perplexity e Claude. Os nomes citados pelas IAs foram comparados individualmente com a lista oficial do TSE. Entre os resultados, o levantamento apontou que Pedro Brito (Novo), que disputa no Ceará, e Expedito Mendonça (PCO), do Distrito Federal, não foram mencionados por nenhuma das plataformas.

Para a disputa à Presidência da República, o cenário mostrou que, dos 13 candidatos, apenas quatro são citados por todas as sete inteligências artificiais, correspondendo a 31% do total.

Visibilidade e ranqueamento

Karina Santos, coordenadora da pesquisa, aponta que o acesso à informação eleitoral varia conforme a ferramenta escolhida pelo eleitor. “Nós não conseguimos identificar, só olhando para as respostas, quais foram os critérios que levaram um candidato a aparecer e outros não. Então, além do desafio de entender por que uma candidatura específica não apareceu, chama atenção que o acesso à informação eleitoral depende da ferramenta que o eleitor escolhe”, explica.

Segundo a coordenadora, a seleção de nomes produz diferentes níveis de visibilidade entre os concorrentes. “Essa seleção já pode produzir algum nível de visibilidade diferente entre os candidatos. Se uma ferramenta apresenta cinco nomes e deixa outros de fora, ela pode estar ajudando a definir quais entram mais no campo de visão daquele eleitor. Isso não significa, necessariamente, que exista a intenção de favorecer alguém, mas o efeito pode ser relevante”, afirma.

O estudo também classificou como ranqueamento as listas ordenadas, casos de preferência visual com destaque para uma candidatura, omissões sem contexto justificável ou sugestão direta de voto. Pelo menos uma dessas situações apareceu em 86% das respostas analisadas, tanto para a Presidência quanto para os governos estaduais.

Recomendação de candidatos

A pesquisa identificou que, em 20% das respostas analisadas, as IAs recomendaram candidatos à Presidência e aos governos estaduais de acordo com o perfil do eleitor, prática que é proibida pelo TSE. A Perplexity concentrou quase dois terços desses registros, finalizando 31 das 35 respostas analisadas com a recomendação de um candidato — muitas vezes em primeira pessoa. Por outro lado, ChatGPT, Claude e Gemini recusaram a ação e forneceram critérios gerais sem associar nomes a perfis.

“Esse resultado mostra a dificuldade de se transformar uma regra jurídica em um comportamento técnico, que possa ser controlado de maneira uniforme. [...] A pesquisa tem o objetivo de jogar luz para este debate e apresentar os desafios, inclusive para monitoramento e fiscalização das IAs”, pontua Karina Santos.

Dados desatualizados

O levantamento apontou que 12% das respostas sobre a Presidência e governos estaduais continham dados desatualizados, com os maiores índices registrados no Claude e na Meta AI (23% dos questionamentos). Os erros envolveram candidaturas da pré-campanha não oficializadas e políticos em cargos que já haviam deixado.

“Isso pode acontecer, em parte, porque o modelo de linguagem não consulta uma única base para responder toda vez que uma informação muda”, esclarece a coordenadora. “Também existe uma questão técnica e econômica importante. Manter os sistemas de IA continuamente atualizados, consultando fontes de alta qualidade e em tempo real, exige uma infraestrutura que varia entre as plataformas. O desafio é que a gente precisa trabalhar para manter as informações atualizadas, porque, numa eleição, essa atualização também significa confiabilidade”, conclui.

Posicionamento das plataformas

Em nota, a Perplexity declarou que a ferramenta foi criada “para fornecer às pessoas respostas citadas e com links de diversas fontes, para que elas possam acessar diretamente as reportagens originais e chegar às suas próprias conclusões”.

A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, afirmou que a plataforma busca ser objetiva e preservar a autonomia do usuário em conversas políticas, oferecendo dados públicos e fontes oficiais do TSE. A empresa acrescentou que a pesquisa possui limitações metodológicas: “O indicador de ‘ranqueamento’, por exemplo, inclui respostas meramente informativas, como quais candidatos estão concorrendo e pesquisas de intenção de voto. Ao reunir esses conteúdos no mesmo indicador, informação útil ao eleitor se confunde com potencial favorecimento”.

Gemini, Meta AI, Grok, DeepSeek e Claude foram contatados pela CNN, mas não retornaram até o fechamento. A 5ª rodada do levantamento Boca de IA foi realizada pelo ITS Rio em parceria com o MPF (Ministério Público Federal), com coleta de dados entre 17 e 21 de agosto.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/pesquisa-so-10-dos-candidatos-a-governador-sao-citados-por-todas-as-ias/

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