A adesão de candidatos derrotados no primeiro turno não garante que seus eleitores seguirão a mesma direção no segundo turno da disputa presidencial entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A análise foi feita por Marcelo Tokarski, CEO do instituto de pesquisa Nexus, durante entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal.
De acordo com o especialista, a migração de sufrágios depende menos das coalizões políticas formalizadas após a primeira votação e está mais relacionada à rejeição dos eleitores aos dois concorrentes. “Eu acho que o eleitor que migrou de outros candidatos para, no segundo turno, votar em Flávio Bolsonaro, pelo que as primeiras pesquisas começam a indicar, não está fazendo isso pela formalização do apoio político do seu candidato a Flávio Bolsonaro”, declarou Tokarski.
Rejeição como fator determinante
Segundo o CEO da Nexus, os primeiros levantamentos do segundo turno apontam uma migração maior de votos para Flávio Bolsonaro, movimento que o especialista associa principalmente à rejeição ao governo e ao atual presidente. Para ele, parte do eleitorado buscou uma alternativa à polarização no primeiro turno, mas agora precisa definir o voto entre os dois principais competidores.
Tokarski destacou que os dados divulgados na quinta-feira indicam uma rejeição superior a Lula em comparação a Flávio Bolsonaro. “Hoje, a rejeição a Lula e ao governo, pelo menos até aqui, tem pesado um pouco mais na decisão desse eleitorado”, afirmou, ponderando que o cenário ainda pode sofrer alterações durante a campanha.
Capacidade de transferência de votos de lideranças
O especialista apontou que Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro representam exceções na dificuldade geral que líderes políticos enfrentam para influenciar o voto de seus apoiadores. Para ilustrar, Tokarski relembrou a decisão de Jair Bolsonaro de lançar a candidatura do filho em dezembro do ano passado, superando setores que preferiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Na ocasião, Flávio registrou cerca de 30% das intenções de voto nas primeiras pesquisas e expandiu seu desempenho na campanha.
O CEO da Nexus também mencionou a eleição presidencial de 2018, quando Lula indicou o apoio a Fernando Haddad, que alcançou o segundo turno. Para o especialista, ambos os casos demonstram a força de certas lideranças para direcionar o comportamento de suas bases eleitorais.
