A Arábia Saudita enfrenta um dilema crítico sobre como reagir à recente escalada de ataques perpetrados pelos houthis, grupo rebelde iemenita apoiado pelo Irã. O governo saudita precisa ponderar formas de conter as ofensivas sem ser arrastado para um conflito terrestre de alto custo financeiro e militar.
No fim de semana, mísseis atingiram o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, resultando na morte de pelo menos 13 pessoas. O episódio ocorreu após o reino lançar uma ampla ofensiva para apoiar as forças do governo iemenita, embora os rebeldes tenham mantido suas posições e intensificado as ações. Inspirados pela estratégia iraniana contra os Estados Unidos, os houthis sinalizaram que planejam ampliar os ataques contra infraestruturas cruciais sauditas e afetar a economia global.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman e o ministro da Defesa Khaled bin Salman lidam com alternativas escassas após 11 anos de tentativas de conter os insurgentes por meio de negociações e operações militares. Os rebeldes consolidaram o controle sobre grandes cidades iemenitas e pressionam outras regiões, como Taiz.
“Essa ameaça precisa ser enfrentada de uma vez por todas”, declarou Ali Shihabi, escritor e comentarista de política saudita, à CNN, destacando que o sucesso da empreitada dependerá do desempenho das forças do governo do Iêmen no campo de batalha, que recebem suporte aéreo do reino.
A estratégia saudita tem se concentrado principalmente no apoio aéreo à coalizão contrária aos houthis, evitando o envio massivo de tropas terrestres para evitar uma guerra prolongada em terrenos acidentados, o que também poderia ameaçar a imagem de estabilidade e segurança projetada para atrair turismo e investimentos internacionais.
Evolução militar e apoio internacional
Com o respaldo do Irã, o movimento houthi expandiu significativamente suas capacidades bélicas, passando a utilizar mísseis balísticos avançados. Um combatente do sul do Iêmen afirmou à CNN que os rebeldes aprimoraram sua inteligência e persistência. O governo iemenita acusa o grupo de colaborar com especialistas da Guarda Revolucionária do Irã para modificar mísseis com maior velocidade e sistemas de rastreamento térmico.
Além disso, um relatório apontou que um grupo no norte do Iêmen utilizou ferramentas da empresa de inteligência artificial Anthropic para desenvolver programas de orientação para foguetes e mísseis.
Diante da pressão, a Arábia Saudita busca suporte de aliados globais. França, Reino Unido e Paquistão prometeram auxílio, enquanto Turquia avalia a possibilidade de colaboração. Relatos também indicam contatos com a Síria, cujo presidente, Ahmed al-Sharaa, expulsou grupos pró-Irã do território sírio. Os Estados Unidos enviaram mais de 100 assessores militares com foco em inteligência sob um comando conjunto, embora o presidente Donald Trump tenha recusado pedidos iniciais de Mohammed bin Salman para realizar ataques aéreos contra os houthis.
Contudo, a morte de um cidadão americano no ataque ao aeroporto de Riad pode alterar a postura de Washington. Questionado sobre uma possível intervenção militar direta dos EUA, Trump declarou que “podemos”, embora tenha classificado o episódio como terrível.
Apesar da aquisição de sistemas avançados de defesa aérea dos EUA, a infraestrutura saudita permanece vulnerável devido à sua extensão em áreas desérticas, tornando-se alvo fácil para drones de baixo custo dos houthis. Analistas apontam que a participação direta americana poderia agilizar as respostas militares, mas a decisão final de Riad continua repleta de riscos estratégicos para a estabilidade e a economia do reino.
