A Arábia Saudita analisa as próximas medidas após o ataque com mísseis realizado no sábado contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad. O episódio deixou ao menos 13 mortos, incluindo um cidadão americano, conforme informou a autoridade saudita de aviação civil no domingo. O atentado é considerado o mais mortal em território saudita em mais de uma década e amplia a pressão sobre o reino e sobre o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman e seu irmão, o ministro da Defesa Khaled bin Salman.
Na semana passada, o governo saudita lançou uma grande ofensiva para apoiar as forças do governo iemenita contra os rebeldes houthis, aliados do Irã. No entanto, os rebeldes mantiveram suas posições e intensificaram as investidas com o objetivo de atingir infraestruturas críticas e impor custos econômicos globais. O conflito de dez anos travado por Riad contra o grupo gerou a pior crise humanitária do mundo, mas a escalada recente é vista como uma extensão das tensões entre o Irã e Washington.
Diante do fortalecimento dos houthis, que agora contam com mísseis balísticos mais avançados — com voos mais rápidos e rastreamento térmico, segundo Majed al-Nazili, porta-voz das Forças Armadas do Iêmen —, as opções sauditas são limitadas. Uma intervenção terrestre maciça arrastaria o reino para uma guerra prolongada e prejudicaria a imagem de polo global de turismo e investimentos promovida pelo príncipe herdeiro. Um funcionário do sul do iêmen que combateu os houthis apontou que os ataques se tornaram mais sofisticados e persistentes.
Além disso, a empresa de inteligência artificial Anthropic relatou que um grupo baseado no norte do Iêmen utilizou suas ferramentas de IA Claude para ajudar a desenvolver softwares de orientação para foguetes e mísseis. A localização sugere uma possível ligação com os rebeldes.
Para enfrentar a situação, a Arábia Saudita tem buscado apoio internacional. França, Reino Unido e Paquistão comprometeram-se a ajudar, a Turquia avalia enviar assistência, e relatos indicam que o príncipe Mohammed recorreu à Síria, cujo presidente, Ahmed al-Sharaa, liderou facções que expulsaram grupos apoiados pelo Irã do país. Por outro lado, os Estados Unidos enviaram mais de 100 assessores militares para fornecer inteligência, mas o presidente Donald Trump recusou pedidos do príncipe Mohammed para realizar ataques aéreos contra os houthis, embora tenha declarado recentemente a jornalistas que o ataque foi "terrível" e que os EUA "podem participar" de eventuais ações.
