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Argentina de Milei: dois em cada três dizem ficar sem dinheiro antes do fim do mês

Levantamento na Argentina aponta que dois em cada três moradores ficam sem dinheiro antes do fim do mês, em meio a pressões inflacionárias e debates sobre a economia.

Redação•19 de out. de 2026, 13:30
Argentina de Milei: dois em cada três dizem ficar sem dinheiro antes do fim do mês
Imagem: site

Argentina de Milei: dois em cada três dizem ficar sem dinheiro antes do fim do mês

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Pesquisa divulgada neste domingo, 19, aponta que dois em cada três argentinos afirmam que a renda acaba antes do término do mês. Entre os entrevistados de baixa renda, o índice atinge 83,3%. O levantamento foi realizado pelo Monitor de Opinião Pública de setembro, da consultoria Zentrix, que ouviu 1.438 pessoas em todo o país entre 22 e 30 de setembro, apresentando margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

De acordo com os dados, 56,2% dos participantes contraíram dívidas nos seis meses anteriores à pesquisa. Deste grupo, 55,1% recorreram ao crédito para custear despesas básicas como alimentação e saúde, enquanto 21,3% utilizaram empréstimos para pagar tarifas e serviços. Além disso, 81,8% declararam que seus salários não acompanham a inflação. Trata-se de percepções informadas pelos próprios entrevistados, sem configurar medição oficial da renda ou do endividamento familiar.

Os números contrapõem a desaceleração de preços defendida pelo governo de Javier Milei. A inflação oficial registrou 1,9% em setembro de 2026, acumulando alta de 33,4% em 12 meses, após superar 200% em 2023. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), o custo das cestas básicas subiu 2,6% em um mês e mais de 38% em um ano durante agosto.

O cenário social e econômico mostra que a pobreza no primeiro semestre atingiu 32,3% da população, acima dos 28,2% do semestre anterior, ao passo que a indigência passou de 6,3% para 7,5%. O desemprego ficou em 7,9% no segundo trimestre. A atividade econômica também registrou retração de 0,6% no Produto Interno Bruto (PIB) entre o primeiro e o segundo trimestres, com queda mensal de 2,9% em julho na medição do Indec. O crescimento econômico ocorre de forma desigual, beneficiando setores como energia, mineração e agronegócio, ao passo que indústria e comércio enfrentam dificuldades. Analistas consultados pela Reuters estimam alta de 1,9% para 2026 e alertam para o risco de recessão técnica no terceiro trimestre.

O ajuste fiscal promovido pelo governo gerou conflitos em torno do financiamento de serviços públicos. Em outubro, estudantes e professores realizaram protestos em Buenos Aires para exigir o cumprimento de uma lei de recomposição de verbas para as universidades. A administração Milei recorreu de uma decisão judicial que obrigava o cumprimento da norma. A Universidade de Buenos Aires estima que os salários docentes perderam cerca de 30% do poder de compra na gestão atual. Na área de assistência a pessoas com deficiência, houve resistência no Congresso e disputas judiciais decorrentes de cortes e benefícios, além do processamento judicial de ex-dirigentes e empresários por suspeitas de subornos e sobrepreços na compra de medicamentos, sem equivaler a uma condenação.

A gestão argentina também repercutiu na política brasileira. Antes do primeiro turno, o presidente argentino declarou apoio a Flávio Bolsonaro e criticou Luiz Inácio Lula da Silva, com a equipe econômica de Flávio estudando medidas locais de desburocratização e redução de impostos. Após o primeiro turno, Lula utilizou o modelo argentino como alerta sobre potenciais impactos em programas sociais, enquanto Flávio evitou responder diretamente se adotaria o programa econômico de Milei em debates.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/argentina-de-milei-dois-em-cada-tres-dizem-ficar-sem-dinheiro-antes-do-fim-do-mes/

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