O governo da Argentina anunciou na quinta-feira, 8, a escolha do consórcio vencedor para a compra de 90% da Agua y Saneamientos Argentinos (AySA), empresa responsável pelo abastecimento de água potável e pelo tratamento de esgoto em Buenos Aires e municípios da região metropolitana. O grupo formado por Rowing, Arcos, Transclor e PHX apresentou a proposta vencedora de US$ 340,2 milhões, superando o grupo Roggio, que ofereceu US$ 285 milhões.
A operação é uma das principais iniciativas do programa de privatizações do presidente Javier Milei e transfere o controle do serviço essencial para aproximadamente 14 milhões de pessoas. O valor oferecido ficou abaixo da expectativa de US$ 450 milhões do Ministério da Economia. Os 10% restantes das ações continuarão com os trabalhadores por meio de um programa de participação acionária. A venda ainda precisa passar por etapas finais de avaliação.
O consórcio reúne empresas ligadas a diferentes atividades, incluindo a Transclor, associada ao empresário Mauricio Filiberti. A companhia havia sido reestatizada em 2006 pelo governo de Néstor Kirchner, após ter sido concedida ao grupo francês Suez.
Justificativa e metas do plano de Milei
O governo argumenta que a AySA acumulou ineficiências administrativas e dependeu de recursos públicos, recebendo US$ 13,4 bilhões do Tesouro entre 2006 e 2023. A estratégia busca reduzir a participação do Estado na economia e diminuir subsídios. Por outro lado, dados do site Chequeado indicam que a AySA registrou superávit operacional em 2024 e 2025, sem receber transferências do Tesouro em 2025.
O contrato de concessão previsto é de 30 anos, prorrogável por mais dez, e estabelece obrigações de investimento:
- Mais de US$ 2 bilhões em investimentos nos primeiros cinco anos;
- Elevar a cobertura de água potável para 90% da população atendida até 2031;
- Elevar a cobertura de esgoto para 75% até o fim do período inicial da concessão em 2031 (os índices atuais são de 75,3% para água e 63,4% para esgoto).
O Estado continuará responsável pela regulação e fiscalização dos serviços.
Críticas e impactos para os consumidores
A privatização gerou críticas da oposição e de organizações de defesa dos consumidores em relação ao preço negociado, que ficou abaixo do esperado, e à falta de transparência e de um preço mínimo de referência. A Defensoria da província de Buenos Aires questionou informações sobre a avaliação da empresa e passivos ambientais, enquanto parlamentares levaram questionamentos aos órgãos de investigação e à Justiça.
Antes da privatização, a administração implementou reajustes acumulados de até 538% nas tarifas e reduziu o número de funcionários. Organizações temem novos aumentos e a priorização de áreas mais rentáveis, enquanto o governo sustenta que a parceria privada ampliará o acesso e a eficiência do saneamento.
