O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira, 26, que as novas medidas econômicas anunciadas pelos Estados Unidos para "asfixiar" a República Islâmica não alcançarão "nada". Quase seis meses após o início da guerra contra o Irã, os Estados Unidos anunciaram novas sanções àqueles que se recusarem a aderir à campanha de Washington para isolar a economia iraniana.
Sanções e retaliações
Na segunda-feira, 24, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou o "Dia D econômico" contra Teerã, ameaçando com punições econômicas uma lista com mais de 60 entidades, indivíduos e embarcações em todo o mundo, incluindo na China, acusados de permitir que a república islâmica "desenvolva tecnologia nuclear e de mísseis".
O presidente iraniano, considerado moderado em relação ao regime dos aiatolás, reconheceu recentemente que seu país enfrenta "muitas dificuldades econômicas" após décadas de sanções internacionais. Ainda assim, afirmou que "os Estados Unidos não obterão nada com sua pressão econômica nesta fase, do mesmo modo que não obtiveram durante a guerra".
O Irã enfrenta embargos há décadas e tem utilizado uma complexa rede financeira internacional para contornar as restrições. Antes da guerra, a nação persa conseguia exportar milhões de barris de petróleo, principalmente para a China. Questionado se os bancos chineses seriam afetados pelas medidas, Bessent respondeu que "ninguém está acima do alcance das sanções americanas".
Tensão no Estreito de Ormuz
O Ministério das Relações Exteriores iraniano advertiu que os países que aderirem à campanha de "guerra econômica" contra a república islâmica promovida pelos Estados Unidos podem enfrentar "consequências". Já o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, declarou que o apoio de qualquer país às novas medidas econômicas dos Estados Unidos será considerado um "ato de guerra". Ele também afirmou que o regime dará uma resposta "sísmica" a Trump.
Os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra no Oriente Médio com ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o que provocou retaliações iranianas na região. Um cessar-fogo iniciado em 8 de abril encerrou quase 40 dias de bombardeios intensos, mas o Estreito de Ormuz se tornou um ponto crítico do conflito. O Irã controla a rota vital para o comércio de combustíveis desde o início da guerra, e o desbloqueio da passagem virou uma prioridade para os Estados Unidos.
Teerã insiste que a via permanecerá fechada até que Washington suspenda o bloqueio sobre os portos iranianos, elimine as sanções petrolíferas e descongele os ativos iranianos no exterior. Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) anunciou ter chegado a um acordo com Omã para compartilhar a receita das taxas de navegação pelo Estreito de Ormuz.
Durante as negociações com Omã, alguns acordos foram firmados sobre qual parte das águas do estreito pertence a cada país e qual parte da receita pertence ao Irã e a Omã", disse o porta-voz da Guarda, Hossein Mohebi. Mohebi também acusou os Estados Unidos de "obstruir" os esforços para chegar a um acordo nas negociações entre Irã e Omã.
