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Ataque de hutis a campo de treinamento no Iêmen deixa dezenas de mortos

Ataque com mísseis balísticos atribuído aos rebeldes hutis atinge campo de treinamento de forças de segurança em Shabwa, no Iêmen.

Redação•19 de out. de 2026, 18:30
Ataque de hutis a campo de treinamento no Iêmen deixa dezenas de mortos
Imagem: site

Ataque de hutis a campo de treinamento no Iêmen deixa dezenas de mortos

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Um ataque com mísseis balísticos realizado por rebeldes hutis contra um campo de treinamento das forças de segurança do governo do Iêmen deixou pelo menos 53 pessoas mortas e outras 200 feridas. O bombardeio ocorreu no campo de al-Alam, situado na província de Shabwa, no sul do país, e representa o incidente com o maior número de vítimas em um único episódio desde a retomada da guerra civil iemenita em setembro.

De acordo com o presidente do governo iemenita, Rashad al-Alimi, as vítimas fatais eram novos combatentes. Al-Alimi classificou a ação como um ato terrorista covarde por parte das milícias hutis e prometeu uma resposta imediata e enérgica. O chefe de Estado também entrou em contato telefônico com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para solicitar que o grupo seja formalmente categorizado como uma organização terrorista estrangeira.

O governador da província de Shabwa, Awad bin al-Wazir, condenou o atentado, qualificando-o como uma escalada militar e uma ofensa direta à segurança local. Ele visitou os feridos em hospitais na capital provincial, Ataq, e demandou o fortalecimento da defesa aérea. Um porta-voz do governo iemenita ressaltou que a base atingida funcionava como um centro de qualificação para a segurança interna, distantes das linhas de frente dos combates.

Diante do ocorrido, o governo do Iêmen classificou o episódio como um desastre e determinou a abertura de uma investigação para apurar os motivos que deixaram as tropas expostas ao ataque.

Repercussão e posicionamento dos hutis

O porta-voz militar dos hutis, Yahya Saree, assumiu a responsabilidade pelo ataque, declarando que o alvo consistia em mobilizações de forças sauditas na região de al-Alam. Saree também afirmou que oficiais sauditas foram mortos na ofensiva e fez alertas contra o recrutamento conduzido pela Arábia Saudita.

A escalada ocorre em um contexto de intensificação dos confrontos, com a retomada de operações militares pela Arábia Saudita em apoio ao governo iemenita. A ofensiva busca conter o avanço dos hutis e recuperar territórios na costa do Mar Vermelho e nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb.

Contexto geopolítico e diplomacia

A crise no Iêmen está inserida em um cenário de tensões mais amplas no Oriente Médio, exacerbadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã iniciado em fevereiro. Com o fechamento do estreito de Ormuz por Teerã, rotas alternativas ganharam relevância para o escoamento de petróleo saudita.

Em busca de apoio internacional, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman (MBS) conversou com lideranças globais. Na terça-feira 13, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan manifestou suporte à Arábia Saudita, após a assinatura de um pacto de defesa mútua entre Turquia, Paquistão e Riad que aguarda ratificação parlamentar na Turquia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também dialogou com MBS e mencionou a possibilidade de solicitar o auxílio de Erdogan na defesa dos interesses sauditas, embora Washington não tenha assumido compromisso de intervenção direta contra os hutis.

Paralelamente, o governo do Irã propôs atuar como mediador nas tensões entre Riad e os rebeldes do Iêmen. A iniciativa foi anunciada no domingo 11 pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e reiterada pela pasta na segunda-feira 12.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/ao-menos-53-pessoas-morrem-em-ataque-de-hutis-a-campo-de-treinamento-no-iemen/

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