Um ataque com mísseis balísticos realizado por rebeldes hutis contra um campo de treinamento das forças de segurança do governo do Iêmen deixou pelo menos 53 pessoas mortas e outras 200 feridas. O bombardeio ocorreu no campo de al-Alam, situado na província de Shabwa, no sul do país, e representa o incidente com o maior número de vítimas em um único episódio desde a retomada da guerra civil iemenita em setembro.
De acordo com o presidente do governo iemenita, Rashad al-Alimi, as vítimas fatais eram novos combatentes. Al-Alimi classificou a ação como um ato terrorista covarde por parte das milícias hutis e prometeu uma resposta imediata e enérgica. O chefe de Estado também entrou em contato telefônico com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para solicitar que o grupo seja formalmente categorizado como uma organização terrorista estrangeira.
O governador da província de Shabwa, Awad bin al-Wazir, condenou o atentado, qualificando-o como uma escalada militar e uma ofensa direta à segurança local. Ele visitou os feridos em hospitais na capital provincial, Ataq, e demandou o fortalecimento da defesa aérea. Um porta-voz do governo iemenita ressaltou que a base atingida funcionava como um centro de qualificação para a segurança interna, distantes das linhas de frente dos combates.
Diante do ocorrido, o governo do Iêmen classificou o episódio como um desastre e determinou a abertura de uma investigação para apurar os motivos que deixaram as tropas expostas ao ataque.
Repercussão e posicionamento dos hutis
O porta-voz militar dos hutis, Yahya Saree, assumiu a responsabilidade pelo ataque, declarando que o alvo consistia em mobilizações de forças sauditas na região de al-Alam. Saree também afirmou que oficiais sauditas foram mortos na ofensiva e fez alertas contra o recrutamento conduzido pela Arábia Saudita.
A escalada ocorre em um contexto de intensificação dos confrontos, com a retomada de operações militares pela Arábia Saudita em apoio ao governo iemenita. A ofensiva busca conter o avanço dos hutis e recuperar territórios na costa do Mar Vermelho e nas proximidades do estreito de Bab el-Mandeb.
Contexto geopolítico e diplomacia
A crise no Iêmen está inserida em um cenário de tensões mais amplas no Oriente Médio, exacerbadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã iniciado em fevereiro. Com o fechamento do estreito de Ormuz por Teerã, rotas alternativas ganharam relevância para o escoamento de petróleo saudita.
Em busca de apoio internacional, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman (MBS) conversou com lideranças globais. Na terça-feira 13, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan manifestou suporte à Arábia Saudita, após a assinatura de um pacto de defesa mútua entre Turquia, Paquistão e Riad que aguarda ratificação parlamentar na Turquia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também dialogou com MBS e mencionou a possibilidade de solicitar o auxílio de Erdogan na defesa dos interesses sauditas, embora Washington não tenha assumido compromisso de intervenção direta contra os hutis.
Paralelamente, o governo do Irã propôs atuar como mediador nas tensões entre Riad e os rebeldes do Iêmen. A iniciativa foi anunciada no domingo 11 pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, e reiterada pela pasta na segunda-feira 12.
