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Ataque hacker a sistemas de refrigeração atinge mercados na França

Ataque cibernético a cerca de 700 estabelecimentos comerciais na França elevou temperatura de geladeiras, estragou alimentos e provocou incêndios.

Redação•14 de out. de 2026, 09:30
Ataque hacker a sistemas de refrigeração atinge mercados na França
Imagem: site

Ataque hacker a sistemas de refrigeração atinge mercados na França

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Um ataque cibernético atingiu aproximadamente 700 estabelecimentos comerciais de venda de alimentos na França, resultando na perda de grandes volumes de produtos frescos e congelados. Os invasores obtiveram acesso remoto aos sistemas de refrigeração e acionaram ciclos de degelo, elevando a temperatura dos equipamentos e causando princípios de incêndio em algumas ocorrências.

A emissora francesa BFMTV relatou que o incidente afetou supermercados pertencentes a diferentes redes ao longo do país. No início da semana, funcionários localizaram poças de água sob os freezers e mercadorias estragadas. As autoridades locais iniciaram uma investigação para apurar os fatos.

Na terça-feira (13), Roland Lescure, ministro da Economia da França, classificou o acontecimento como um alerta geral e exigiu o fortalecimento das defesas de segurança digital. Até o momento, nenhum grupo assumiu a autoria da ação publicamente e não houve exigência de pagamento de resgate. Especialistas ouvidos pela CNN apontam que o objetivo pode ter sido provocar distúrbios ou desestabilizar a economia.

Modus Operandi da invasão

Os expositores e freezers dos supermercados operam por meio de sistemas conectados à internet, o que viabiliza ajustes remotos de temperatura por empresas de manutenção. Conforme a Agência Nacional de Segurança dos Sistemas de Informação da França (ANSSI), os criminosos comprometeram controladores administrados por três companhias: a dinamarquesa Danfoss e as americanas Copeland e Dixell.

Após o episódio, a Danfoss admitiu que diversos aparelhos atingidos utilizavam programas desatualizados ou não recebiam mais atualizações de segurança. A fabricante orientou os clientes a manterem os firmwares atualizados. A Copeland, dono da Dixell, detectou uma vulnerabilidade em uma linha descontinuada de controladores e informou à CNN que atua com os clientes afetados para mitigar riscos.

Pesquisadores de segurança apontam que os equipamentos podem ter sido expostos diretamente à internet pública sem proteções adequadas. O pesquisador Félix Aimé indicou que mais de 1.700 sistemas com o software vulnerável da Danfoss estavam expostos na França antes do ataque. Um relatório da Claroty publicado em agosto já alertava sobre falhas nos controladores Danfoss AK-SM 800A que permitiam burlar autenticações e alterar temperaturas à distância.

A consultoria britânica UK Cyber Defence apontou que os invasores manipularam a função de degelo e eliminaram travas que limitavam o aquecimento. Na noite de segunda-feira (12), alguns expositores atingiram 50°C e mantiveram essa marca por cerca de seis horas, provocando fogo em determinados aparelhos.

O especialista em segurança digital Ken Munro avaliou que a tomada de controle não foi complexa, apontando falhas na terceirização da gestão dos sistemas sem o devido rigor em segurança digital.

Supermercados atingidos e impacto econômico

Várias grandes redes de supermercados francesas sofreram perdas, com executivos estimando prejuízos na casa de milhões de euros:

  • Carrefour: Cerca de 80 supermercados impactados.
  • Monoprix: 5% de suas 490 lojas atingidas.
  • Les Mousquetaires: Geladeiras de 150 unidades comercializadoras foram alvos.
  • Coopérative U: Aproximadamente 80 unidades afetadas, de acordo com o presidente-executivo Dominique Schelcher.

Riscos aos consumidores e repercussão política

Ken Munro afirmou que o perigo direto para os cidadãos é reduzido, concentrando-se o dano na perda de mantimentos e no risco de incidentes análogos em outras redes conectadas. O especialista defendeu a desconexão dos controladores da internet pública, o uso de defesas adequadas e cobranças de responsabilidade aos fornecedores.

O episódio gerou reações de líderes europeus. A ocorrência sucede em poucas semanas o pedido do presidente francês Emmanuel Macron por um plano de proteção frente à expansão de ameaças cibernéticas, citando em setembro a ameaça híbrida russa. O comissário europeu para Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, declarou na rede social X que a instrumentalização dos alimentos virou realidade.

O ministro Roland Lescure descartou riscos de desabastecimento alimentar no país, mas reforçou que a situação exige rigor digital redobrado para assegurar o funcionamento das cadeias de distribuição.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-o-que-aconteceu-em-ataque-hacker-a-geladeiras-de-mercados-na-franca/

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