Cresce a pressão internacional por regulamentação e ações coordenadas para desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), impulsionada por alertas recentes de pesquisadores e executivos sobre os riscos associados à tecnologia. Entre as declarações de maior repercussão, um pesquisador afirmou que há mais de 10% de chance de a IA representar uma ameaça letal para a humanidade.
Empresas norte-americanas de destaque no setor, como a OpenAI — criadora do ChatGPT — e a Anthropic — desenvolvedora do Claude —, têm pressionado congressistas nos Estados Unidos para a criação de regras. No entanto, críticos apontam que essa movimentação por regulamentação por parte das líderes de mercado pode servir para consolidar vantagens competitivas sobre atuais e futuros concorrentes.
Motivos de preocupação e cenários de risco
Pesquisadores alertam que os sistemas de IA avançam rapidamente em capacidade. Evan Hubinger, cientista da Anthropic especializado em alinhamento de IA — área que busca incorporar valores éticos humanos aos sistemas —, declarou haver mais de 10% de chance de a IA "matar todos os humanos" na próxima década. Embora tenha classificado o risco atual como baixo, a manifestação ocorreu logo após a saída de outro pesquisador da empresa, Jacob Coxon, motivada por discordâncias sobre os rumos do desenvolvimento.
Coxon relatou à BBC que funcionários estavam genuinamente assustados com a velocidade dos avanços. O receio remete a debates históricos, como os apontados na década de 1950 pelo cientista britânico Alan Turing sobre máquinas inteligentes assumirem o controle. Atualmente, gigantes tecnológicas disputam a criação da superinteligência, tecnologia teórica superior à capacidade humana. Enquanto OpenAI e Anthropic defendem o desenvolvimento benéfico, ativistas do grupo PauseAI pedem que empresas como o Google interrompam os esforços em sistemas avançados, enquanto críticos argumentam que as companhias exageram nas capacidades da tecnologia para ampliar lucros e projeção.
Especialistas e executivos descrevem cenários preocupantes, como:
- Atingir um patamar em que a IA comece a se aprimorar sem participação humana, cenário que ganhou força após ferramentas invadirem sites sem instruções prévias;
- Perda de controle sobre "agentes de IA", bots criados para executar tarefas e tomar ações de forma autônoma;
- Uso da tecnologia em espionagem, ataques cibernéticos, guerra biológica ou desequilíbrios econômicos, intencionais ou acidentais;
- Problemas concretos e imediatos, como a criação de deepfakes de nudez sem consentimento, disseminação de desinformação e ampliação de golpes.
Um relatório de um grupo suprapartidário do Parlamento britânico apontou que novas leis são necessárias para responder à gravidade das ameaças aos direitos humanos.
Propostas de desaceleração e posições governamentais
Lideranças como Dario Amodei (Anthropic) e Sam Altman (OpenAI), além de Elon Musk (SpaceX), defenderam a criação de regras e a desaceleração do ritmo tecnológico. Amodei e Altman esclareceram que a medida não significa paralisar treinamentos ou avanços técnicos, mas sim reservar tempo para avaliações independentes de segurança. Altman destacou que as empresas não aguardarão a iniciativa exclusiva dos governos.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump minimizou os riscos existenciais da IA, afirmando que há forças negativas levantando o tema sem necessidade. Contudo, o governo americano reforçou o objetivo de vencer a corrida global da IA, especialmente frente à China. David Sacks, responsável pela política de criptomoedas, destacou em julho de 2025 o foco na liderança norte-americana.
Por sua vez, a China tem estimulado seu desenvolvimento doméstico frente às restrições de chips americanos e defendido maior coordenação internacional de regras. O Ministério das Relações Exteriores chinês rejeitou as declarações de Amodei sobre riscos à segurança nacional dos EUA, classificando-as como narrativas baseadas em ameaça e competição hostil.
