A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não comparecer ao último debate eleitoral promovido pela TV Globo gerou apreensão entre aliados e interlocutores próximos à sua campanha. Conforme apuração da analista de Política da CNN Jussara Soares, transmitida no CNN Prime Time, a escolha não teve consenso no entorno do candidato, embora a palavra final tenha partido do próprio Lula.
Nos dias anteriores ao evento, a campanha dividiu-se em duas correntes. Uma ala defendia a participação do candidato, sustentando que a visibilidade na TV aberta seria importante para alcançar o eleitorado indeciso e o público feminino em um pleito acirrado. Outra ala posicionou-se contra, avaliando que o formato desfavoreceria Lula e o colocaria na condição de alvo central para os demais concorrentes, todos de direita.
Riscos da ausência e repercussões
A principal apreensão da base aliada diz respeito ao espaço que ficará vazio. A emissora confirmou que, de acordo com as regras, o lugar reservado a Lula permanecerá desocupado durante a transmissão. Para os interlocutores, a situação resulta em exposição negativa, pois os adversários poderão explorar a ausência, acusar o candidato de se recusar a prestar contas à população e rotulá-lo como fujão, além de proferirem críticas ao longo de todo o programa sem direito a contraponto.
Em substituição ao debate, Lula optou por participar de uma entrevista em formato de podcast. Internamente, contudo, há o entendimento de que o alcance dessa transmissão é bem inferior ao de uma rede nacional de TV aberta veiculada após a novela, faixa horária que atinge o público mais idoso, considerado estratégico pela campanha. O receio central é que a escolha faça com que Lula dialogue apenas com a própria bolha.
A situação evoca um precedente anterior: quando disputou a reeleição, Lula também se ausentou de um debate no primeiro turno, episódio avaliado por pessoas que já trabalhavam com ele como um fator que evitou sua vitória ainda na primeira etapa do pleito.
Estratégia de Flávio Bolsonaro
Por outro lado, o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou presença no evento e pretende explorar o espaço. A campanha de Flávio planeja apresentá-lo como uma vertente mais moderada da família Bolsonaro para atrair o eleitor indeciso. Mesmo com a ausência de Lula, a estratégia prevê questionamentos diretos ao petista, reforço à tese do antipetismo e menções a escândalos de corrupção de gestões passadas. Houve dúvidas iniciais sobre a participação sem o principal adversário, mas prevaleceu o entendimento de que desistir após ter desafiado Lula seria ainda mais prejudicial à imagem do candidato.
