Uma autoridade de alto escalão da Arábia Saudita desmentiu, nesta terça-feira (29), informações veiculadas pela imprensa israelense sobre uma suposta reunião entre representantes sauditas e autoridades de Israel. Os relatos surgiram após a visita do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aos Emirados Árabes Unidos.
Netanyahu esteve em Abu Dhabi no domingo (27), em uma viagem confirmada tanto pelo governo de Israel quanto pelas autoridades dos Emirados. Na ocasião, o líder israelense reuniu-se com o presidente emiradense, xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan. De acordo com a agência estatal WAM, os líderes discutiram o fortalecimento e o desenvolvimento das relações bilaterais.
Segundo o gabinete do primeiro-ministro de Israel, a comitiva que acompanhou Netanyahu contou com sua esposa, o chefe do Conselho de Segurança Nacional, o chefe do Mossad, um secretário militar e um assessor político. Uma fonte israelense informou à CNN que a pauta central do encontro não anunciado envolveu o Irã, tema no qual os dois governos têm aprofundado a cooperação.
Contexto político e eleições em Israel
A viagem ocorreu a exatamente um mês das eleições israelenses marcadas para 27 de outubro. O cenário político em Israel tem sido marcado por forte polêmica após reportagens dos jornais "Haaretz" e "The New York Times" alegarem que o xeique Mohammed teria advertido Netanyahu sobre uma operação do Hamas dias antes dos ataques de 7 de outubro de 2023.
Outros veículos, como a revista "The Atlantic" e o "The Wall Street Journal", também relataram alertas enviados a Israel por autoridades egípcias, incluindo uma viagem do chefe de inteligência do Egito, Abbas Kamel, em 26 de setembro de 2023, e ligações telefônicas direcionadas a Netanyahu.
O primeiro-ministro tem negado repetidamente ter recebido qualquer aviso prévio, classificando as notícias como mentiras fabricadas para prejudicar sua campanha. Em publicações na rede social X, Netanyahu afirmou que estados estrangeiros hostis e países árabes estariam por trás de acusações falsas.
Repercussão e declarações oficiais
O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos declarou no início do mês que não comenta especulações sobre conversas entre líderes, mas ressaltou que informações de inteligência pertinentes continuam sendo trocadas entre as entidades competentes. O partido Likud, liderado por Netanyahu, também acusou o político palestino Mohammed Dahlan de promover interferência estrangeira nas eleições israelenses.
Em meio à disputa eleitoral, o principal adversário de Netanyahu, Gadi Eizenkot, criticou duramente a gestão do atual premiê em relação aos acontecimentos que antecederam o dia 7 de outubro de 2023. A viagem recente foi a primeira visita de Netanyahu aos Emirados Árabes Unidos reconhecida publicamente.
