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Azeite: CNA investiga importações europeias no Brasil por suspeita de irregularidades

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu ao governo federal uma investigação sobre os azeites importados da União Europeia, verificando se produtos classificados como extravirgens atendem aos padrões brasileiros. A medida ocorre em meio a tensões comerciais entre Brasil e UE, após a suspensão das importações de carnes brasileiras pelo bloco. Saiba mais.

Redação•03 de set. de 2026, 15:31
Azeite: CNA investiga importações europeias no Brasil por suspeita de irregularidades
Imagem: site

Azeite: CNA investiga importações europeias no Brasil por suspeita de irregularidades

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CNA pede apuração sobre azeites importados da Europa

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre os azeites importados da União Europeia, verificando se produtos classificados como extravirgens atendem aos padrões brasileiros. O pedido, feito na terça-feira (1º), foi encaminhado ao ministro André de Paula e busca analisar identidade, qualidade e categoria dos produtos comercializados no mercado nacional.

O ofício da CNA também foi enviado ao Itamaraty, com solicitação para acionar o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC), que poderia permitir ao Brasil suspender benefícios tarifários aos europeus como forma de compensação pela suspensão das importações de carnes brasileiras pela UE.

Impacto das importações e tensões comerciais

Quase 90% das 90 mil toneladas de azeite importadas pelo Brasil em 2025 tiveram origem europeia, totalizando US$ 540 milhões. Portugal, Espanha e Itália são os principais fornecedores. A investigação busca identificar possíveis discrepâncias entre a classificação declarada na importação e as características reais dos produtos, especialmente em relação ao azeite extravirgem, que exige parâmetros químicos e sensoriais específicos.

A CNA destaca que uma classificação incorreta poderia reduzir artificialmente o custo de entrada do produto, prejudicar empresas brasileiras que atuam dentro das regras e induzir o consumidor ao erro. A entidade também menciona a recente alteração na tributação de determinadas categorias de azeite, tornando a classificação uma questão econômica.

Testes oficiais e reações do mercado

O Ministério da Agricultura já realizou testes em produtos comercializados no Brasil após determinação judicial, identificando amostras comercializadas como extravirgens que foram reclassificadas como azeites virgens. No entanto, a existência de problemas em determinados lotes não permite concluir que todas as marcas ou fabricantes apresentem a mesma situação.

Empresas afetadas pelas análises afirmaram manter controles próprios de qualidade e realizar testes antes da comercialização. A nova pressão da CNA amplia uma discussão já em curso sobre a capacidade do sistema brasileiro de garantir que o azeite importado vendido como extravirgem corresponda ao produto descrito no rótulo.

Contexto comercial e produção nacional

Embora o azeite tenha menor peso financeiro nas relações comerciais entre Brasil e União Europeia em comparação às carnes (US$ 1,8 bilhão em exportações brasileiras de carne bovina e de frango para a UE em 2025), a escolha do produto tem significado estratégico. A UE suspendeu as importações brasileiras de produtos de origem animal por considerar insuficientes as garantias sobre o cumprimento de normas europeias para antimicrobianos.

Enquanto isso, a produção brasileira de azeite vem crescendo, especialmente no Rio Grande do Sul e na região da Mantiqueira, entre Minas Gerais e São Paulo. Em 2026, o país atingiu recorde de produção, mas ainda depende majoritariamente das importações para atender à demanda interna. Produtores nacionais passaram a defender maior rigor na fiscalização dos produtos importados para garantir condições equitativas de concorrência.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/guerra-comercial-brasil-ue-ganha-novo-capitulo-com-investigacao-sobre-azeite/

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