As eleições foram marcadas por ataques entre candidatos em detrimento de propostas de governo, enquanto o escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro pairou sobre diversas candidaturas de diferentes espectros partidários. No entanto, a repercussão prática sobre o voto do eleitor foi limitada.
Eleições presidenciais e federais
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) avançou para o segundo turno contra o presidente Lula, em um movimento avaliado pelo CEO da Quaest, Felipe Nunes, como voto útil da direita. O candidato é formalmente investigado em inquérito que apura o financiamento do filme Dark Horse, além de suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
Antonio Rueda, presidente do União Brasil, atuou pessoalmente como advogado de Vorcaro e utilizou jatinho do ex-controlador do Master. Segundo a coluna Radar, havia um projeto entre Rueda e Vorcaro para criar um cassino em São Paulo com meta de faturamento de 1 bilhão de dólares ao ano, aproveitando o mercado de bets. Rueda concorreu ao cargo de deputado federal por São Paulo e foi eleito.
Por outro lado, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro e apontado como "grande amigo" de Daniel Vorcaro, não conseguiu renovar seu mandato por mais oito anos. O parlamentar é alvo de investigação formal no Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao caso Master e foi o autor de uma proposta legislativa que pretendia elevar de 250.000 reais para 1 milhão de reais a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investimentos malsucedidos.
Cenário na Bahia e o impacto do escândalo
A Bahia foi considerada um ponto nefrágico da crise do Banco Master devido à proximidade entre políticos locais e Augusto Lima, ex-sócio e ex-CEO de Vorcaro, responsável por aproximações com a classe política, especialmente com nomes do PT como Rui Costa e Jaques Wagner. Ambos presenciaram a ascensão do grupo após a compra, em 2018, do programa de crédito consignado Credcesta.
Apesar da forte presença do tema, as relações com o banqueiro alteraram pouco o cenário eleitoral baiano:
- ACM Neto (União Brasil): Aparece em trocas de mensagens obtidas pela Polícia Federal agendando encontros com Vorcaro, que o chamava de "monstro" e "grande homem dessa nação" segundo O Globo. Ele perdeu a disputa para o governo estadual para Jerônimo Rodrigues (PT).
- Jerônimo Rodrigues (PT): Reeleito governador, declarou durante a campanha que ACM Neto "estava prestando consultoria ao banco do Vorcaro", ao mesmo tempo em que minimizou os contratos firmados por seus antecessores com o entorno do banqueiro.
- Jaques Wagner e Rui Costa: Ex-governadores e petistas cujas gestões se aproximaram de Augusto Lima, ambos foram reeleitos para o Senado. Jaques Wagner foi alvo de buscas da Polícia Federal sob suspeita de ter recebido vantagens financeiras de Vorcaro, o que incluiria um apartamento avaliado em 2,45 milhões de reais.
A expectativa de que houvesse um pacto de não-agressão mútua e omissão do nome de Vorcaro nas críticas políticas na Bahia não se concretizou ao longo da campanha.
