A nova bancada eleita para o Senado Federal projeta um avanço expressivo à direita, impulsionada pelo desempenho do PL, que elegeu dezenove novos senadores e somará nove parlamentares da atual legislatura, ocupando mais de um terço do plenário. Com essa nova configuração, parlamentares que apoiam o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ou se elegeram com esse compromisso totalizam 49 cadeiras, gerando alerta nos gabinetes da Corte e expectativa nos bastidores políticos.
Atualmente, a legislação exige 54 votos para cassar um magistrado, tornando viável a instauração de processos a partir do próximo ano. O principal alvo dos senadores é o ministro Alexandre de Moraes, relator de investigações que resultaram na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outras 450 pessoas por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. O ministro Alexandre de Moraes concentra sozinho cerca de 70% dos pedidos de impeachment na Casa, enquanto o ministro Flávio Dino acumula perto de dez pedidos.
Diante desse cenário, a ala mais política do STF iniciou articulações para tentar resistir à pressão e buscar aproximação com senadores considerados menos radicais. Sinais recentes incluem a autorização concedida por Moraes para que a cabeleireira conhecida como Débora do Batom, condenada a quatorze anos de prisão na trama golpista, seja transferida para o regime semiaberto. Paralelamente, o decano Gilmar Mendes arquivou um pedido de investigação contra Alfredo Gaspar, candidato a vice de Flávio Bolsonaro.
Na última terça-feira, o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha do PL, reuniu-se com o presidente do STF, Edson Fachin, no dia 6, e afirmou ter avisado ao magistrado que os parlamentares não serão omissos diante de eventuais abusos de integrantes da Corte. Marinho também anunciou que a bancada pró-impeachment pretende propor uma mudança na legislação para que os processos de deposição de magistrados passem a tramitar automaticamente com o apoio de 49 parlamentares, eliminando a exigência de autorização do presidente do Congresso.
O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que historicamente atuou para barrar pedidos de impedimento, enfrentará a concorrência de Rogério Marinho na eleição para o comando da Casa marcada para fevereiro. Enquanto isso, o ex-presidente Michel Temer gravou um vídeo na última segunda-feira declarando apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, gesto interpretado por magistrados como uma tentativa de atuar na negociação de uma saída para a crise institucional. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro afirmou dispor de aliados suficientes no novo Congresso para promover alterações estratégicas na Constituição.
